Presente em samba da Mangueira, Leci Brandão celebra retomada de carnaval pelo povo

Após ameaças e tentativas de proibições, os foliões estão colocando  seus blocos na rua no carnaval 2019. Este ano a festa do Momo, que nem  sempre acaba na quarta-feira de cinzas, está vendo nascer blocos menores em bairros periféricos, o que é visto com bons olhos por Leci  Brandão, sambista e amante da desta época do ano.

“O povo está retomando o carnaval, tem muito bloco na periferia  formado pelos moradores do bairro, que mesmo com poder aquisitivo menor do que aqueles que montam grandes, conseguem se juntar para fazer a festa. As comunidades do samba também estão fazendo isso, muitas vezes pedindo ajuda,como doação de alimentos, para investir na própria comunidade”, conta Leci.

Leci Brandão

Apesar de ser entusiasta do movimento dos blocos de rua, para a  sambista carnaval mesmo é na avenida. Mangueira de coração, este ano ela tem o nome citado no samba da escola e, por isso, virá como destaque em um tripé. A Estação Primeira de Mangueira apresentará na Sapucaí o enredo “História para ninar gente grande”, que homenageará hróis populares que tiveram atos importantes, mas foram omitidos nas páginas dos livros.

“Eu sou suspeita para falar deste enredo por ser mangueirense. Eu acredito que a escola está sendo referência não pelo pelo desfile que apresenta, mas por trazer consciência política, a luta de uma forma  artística, pela inclusão, pelo protagonismo das mulheres negras.Eu tenho percebido isso nas escolhas dos enredos e dos sambas. Eu me sinto muito honrada por ser lembrada”, diz a cantora, que é Deputada Estadual em São Paulo.

Este é mais um entre os enredos de crítica social e enaltecimento da cultura negra que estão sendo apresentados no Carnaval nos últimos anos. A Paraíso do Tuiuti, a própria Mangueira, a Vai Vai em São  Paulo, entre outros, estão numa sequência de narrativas bonitas de ver.

“Eu acho que isso faz parte da consciência política, as pessoas estão acordando para o fato de a população negra não estar no poder, nem no legislativo nem no judiciário, muito menos no executivo. Essa ausência nossa das estruturas de poder está fazendo com que a gente mostre outro tipo de força, a da rua”, orgulha-se Leci Brandão.

Lídia Michelle Azevedo

Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRJ, em 2009, já passou pelas redações do Jornal dos Sports, Assessoria de Imprensa do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiencia) Revista Ferroviária, Expresso, Extra, Canal A e atualmente está na assessoria de comunicação da Fundação Cecierj.

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