Em Sergipe, orquestra de berimbaus se torna instrumento de ressocialização para jovens

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Orquestra é uma palavra de origem grega que significa união de músicos. Geralmente composta por instrumentos de corda, madeira, metais, teclas e alguns de percussão. No entanto, pouco se vê uma orquestra com instrumentos de origem africana, foi pensando nisso que o Educador de Capoeira Angola, Alex Gomes, organizou uma orquestra de berimbaus com os adolescentes da Unidade Socioeducativa de Internação Masculina CASEM, em Sergipe. 

A orquestra tem três meses de existência e funciona com um grupo de quinze músicos, os instrumentos utilizados são 10 berimbaus, 3 pandeiros, 1 agogô, 1 reco-reco e 1 atabaque, 

De acordo com o professor Alex Gomes, o objetivo é que o adolescente em contato com a música, independente de ser de capoeira, possa buscar novas perspectivas de vida que possa ajudá-lo a voltar ao convívio da sociedade com cabeça erguida.

“Berimbau é um instrumento que toca numa corda só

Pra tocá São Bento Grande, toca angola em tom maior

Agora acabei de crê, colega velho, berimbau é o maior, camará.”-  Mestre Pastinha

“É importante porque são poucas oportunidades que nós temos. Então isso gratifica muito e nos fortalece também. Ali tocando eu me sinto especial, por que independente do que eu já passei e do que eu tô passando agora, eu sou diferente.”, contou o adolescente Mestre da orquestra

Em estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2015, 66% dos adolescentes cumprindo medidas socioeducativas são de famílias extremamente pobres, 60% são negros e 55% não frequentavam a escola antes do ato. Mudar essa realidade com educação, cultura e identidade é fundamental para construção de autoestima na vida desses jovens.

Com a lei 12.594 de 18 de janeiro de 2012 que instituiu o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, as atividades que estimulem a integração social e a ressocialização são necessárias para os adolescentes que praticaram ato infracional. 

“Cada vez mais entendemos e compreendemos esses adolescentes. Quando você conhece um pouco da história de cada um deles você ver que tem muita gente boa, que só precisa ser colocado no lugar certo e na hora certa para tomar um rumo na vida”, comentou o diretor da unidade CASEM, Rodrigo Oliveira.


“Essa atividade é muito importante para elevar a autoestima deles, eles começam a perceber mudanças na vida deles e sair para se apresentar contribui para que eles se sintam valorizados, cria um leque de opções para uma nova realidade que eles podem ter. No sentido deles pensarem que não precisa ser só aquilo que estava sendo, eu posso tocar um instrumento, jogar capoeira…”, complementou o coordenador técnico, Tiago Kateb ressaltando como a Capoeira Angola e a Orquestra tem transformado a vida desses jovens.

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Aila Omowale

Mulher negra em movimento, estudante de jornalismo e nordestina. Sonho que jornais como o Notícia Preta se multipliquem para que o nosso povo tenha informação antirracista e de qualidade como direito em suas vidas.

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