ONU destaca continente africano como fonte de soluções para enfrentamento de epidemias

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A África, segundo a entidade, vem enfrentando várias epidemias zoonóticas de forma bem sucedida

Cientistas trabalhando em Nairobi, Kenya. Foto: ILRI/David White

A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para o surgimento de novos surtos de doenças zoonóticas, quando a transmissão acontece entre animais e humanos, e destaca o continente africano como fonte de soluções por causa de suas experiências com doenças emergentes. As informações foram divulgadas através do relatório de “Prevenindo a Próxima Pandemia: Doenças Zoonóticas e Como Quebrar a Cadeia de Transmissão”.

A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, já provocou mais de meio milhão de mortes em todo o mundo. De acordo com pesquisadores, ela provavelmente foi originada em morcegos, e é apenas a mais recente dentre tantas doenças cuja disseminação foi intensificada pelas ações humanas. Tem-se como exemplos a Ebola, o Zika Vírus, a Gripe Suína, entre outras. De acordo com a ONU, o continente africano seria exemplo por detém conhecimentos para abordagens que incorporam saúde humana, animal e ambiental. 

O relatório, que é resultado de um trabalho conjunto do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e do Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária (ILRI), destaca sete fatores como os facilitadores do surgimento de doenças e epidemias seriam: o aumento global do consumo de alimentos de origem animal, e consequente a isso uma intensificação agrícola insustentável; o aumento da exploração da vida selvagem; as mudanças nas cadeias alimentares; a urbanização desenfreada motivando o desmatamento de florestas e a destruição de habitats naturais; a facilidade em fazer viagens e transportar bens, acelerando o número de infectados; e as mudanças climáticas.

África como referência

Após análises, o relatório conclui que a África, por ter enfrentado várias epidemias zoonóticas de forma bem sucedida, incluindo os recentes surtos de Ebola, serve como fonte mundial de soluções importantes para conter futuros surtos de doenças.

“Com suas experiências com a Ebola e outras doenças emergentes, os países africanos estão demonstrando maneiras proativas de gerenciar esses surtos. Por exemplo, para controlar as doenças eles estão aplicando novas abordagens baseadas em riscos, ao invés de abordagens baseadas em regras, por serem mais adequadas para ambientes com poucos recursos, e estão unindo conhecimentos humanos, animais e ambientais em iniciativas proativas como a One Health”, afirmou o Diretor Geral da ILRI, Jimmy Smith, citado no comunicado de imprensa da ONU.

One Health (Saúde Única) é um conceito que trata da integração entre os conhecimentos em saúde humana, saúde animal, ambiente e políticas públicas. 

Com África como referência, o relatório identificou dez ações práticas que governos do mundo todo podem tomar para evitar pandemias futuras: investir em abordagens interdisciplinares, como a One Health; incentivar pesquisas científicas sobre doenças zoonóticas; melhorar as análises de custo-benefício das intervenções para incluir o custo total dos impactos sociais gerados pelas doenças; aumentar a sensibilização sobre as doenças zoonóticas; fortalecer o monitoramento e a regulamentação de práticas associadas às doenças zoonóticas, inclusive de sistemas alimentares. 

Melhorar a biossegurança; apoiar o gerenciamento sustentável de paisagens terrestres e marinhas a fim de ampliar a coexistência sustentável entre agricultura e vida selvagem; incentivar práticas ​​de gestão sustentável e garantir a segurança alimentar; fortalecer a capacidade dos atores do setor de saúde; e operacionalizar a abordagem da One Health no planejamento, implementação e monitoramento do uso da terra e do desenvolvimento sustentável, são outras das soluções que compõem a lista de prevenção de pandemias futuras do relatório da ONU.

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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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