Funcionário da rede Assaí é demitido após acusação de racismo

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Sem qualquer tipo de provas, os funcionários abordaram e acusaram o cliente de portar uma arma

Por Victória Henrique

Após propagação da denúncia, um ato de protesto foi organizado no estabelecimento. Foto: communistvictor

Alan Braz, 24 anos, que possui o nome artístico Mary Onett, foi vítima de racismo nesta semana por dois funcionários do supermercado da rede atacadista, Assaí, da unidade de Mauá, em São Paulo. Um dos homens não trabalha mais no local. Em vídeo publicado no Instagram, Alan conta que foi abordado por dois seguranças do estabelecimento ao sair do local. Uma mulher o acusou de estar portando uma arma. 

Ele comenta que após um dia de trabalho intenso decidiu ir ao mercado, mas desistiu de fazer as compras por conta da grande quantidade de pessoas que estavam no Assaí. Ao ser parado pelos dois homens, foi pressionado a mostrar a sua bolsa para provar que não carregava uma arma. Ao discordar em abrir a mochila, foi impedido de ir embora para a sua casa. 

Em entrevista ao Notícia Preta, falou que um dos homens que o abordou violentamente na verdade não era segurança, e sim o responsável por medir a temperatura das pessoas na entrada do supermercado em decorrência da pandemia de coronavírus presente no país. Em nota, divulgada no Instagram, o Assaí afirmou que o funcionário foi demitido.

Além do homem que não cumpria a função de segurança do lugar, ainda houve quebra de protocolo por abordar um cliente fora da loja. Na quarta-feira (8), Alan se reuniu com o prefeito da cidade de Mauá Átila Jacomussi (PSB) para seguir com as investigações do caso e para tomar as medidas cabíveis contra o outro funcionário. 

Ele ainda disse ao Notícia Preta que a mulher que o acusou de estar com uma arma, segundo os homens que o pararam para a revista, nunca foi encontrada e foi enfático ao declarar que acredita que ela “talvez nem exista”. Até o momento, a suposta mulher ainda não foi localizada nas imagens das câmeras, que permanecem em análise.

Para Alan Braz, a nota publicada no Instagram do estabelecimento relativizou o caso, por não definir a situação como racismo e por não abordar a perseguição violenta que sofreu. E completa que “eles colocaram como motivação para essa atitude eu ter saído pela entrada. Foi ignorado o fato de eu ter sido perseguido, porque eu sou preto”. Após a publicação do pronunciamento, o jovem entrou em contato com a Ouvidoria do mercado para demonstrar a sua indignação com a postagem. Confira o vídeo da denúncia.

A denúncia foi feita pela vítima através de uma rede social. Foto: Divulgação
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