ONU aponta que 800 mil crianças com HIV não receberam tratamento em 2021

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O relatório final da iniciativa Start Free, Stay Free, AIDS Free demonstrou que quase 800 mil crianças vivendo com HIV não estão recebendo tratamento. Os dados mostram que nenhuma das metas estabelecidas para impedir que crianças, adolescentes e mulheres jovens que vivem com HIV fossem tratadas para evitar o desenvolvimento da AIDS, foram cumpridas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), sem o tratamento, cerca de 50% das crianças que vivem com HIV devido a contaminação durante a gravidez, morrem antes de chegarem aos dois anos de vida.

800 mil crianças vivem com HIV e não foram atendidas, segundo a ONU – Foto: Istock

As metas de tratamento foram estabelecidas em 2015, com o prazo de cinco anos do Plano Global para a eliminação de novas infecções por HIV entre crianças. A ação também previa atuações para garantir a sobrevivência das mães e que todas as crianças e adolescentes vivendo com HIV tivessem acesso à terapia antirretroviral. O programa incluía como foco principal 23 países, dos quais 21 estão no continente africano onde se encontram 83% do número global de mulheres grávidas vivendo com HIV. Além disso, 80% das crianças vivendo com HIV e 78% das mulheres jovens de 15 a 24 anos recentemente infectadas com HIV também estão na África.

“Há mais de 20 anos, iniciativas às famílias e crianças para prevenir a transmissão vertical e evitar que crianças morram de AIDS, realmente deram o pontapé inicial no que agora se tornou nossa resposta global à AIDS. Isso resultou de uma ativação sem precedentes de todos os parceiros, no entanto, apesar do progresso inicial e dramático, apesar de mais ferramentas e conhecimento do que nunca, as crianças estão ficando para trás dos adultos e muito para trás de nossos objetivos”, afirmou a diretora executiva adjunta do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Shannon Hader.

O relatório divulgado pela ONU indicou que, ao analisar o cenário global, o resultado das ações de combate a AIDS nesses 21 países em foco na África, foram melhores do que em países que não foram acompanhados de perto pelo UNAIDS.  Contudo, mesmo entre esses países que apresentaram melhorias nos dados, os resultados foram muito diferentes em cada país. O levantamento revelou, por exemplo, que enquanto Botswana alcançou 100% de cobertura de tratamento, a República Democrática do Congo atingiu apenas 39%.

República Democrática do Congo atingiu apenas 39% de cobertura de tratamento em crianças – Foto: Getty Images

A partir dos resultados o relatório indicou outras metas a serem cumpridas até 2025 com destaque para alcançar todas as mulheres grávidas com testes e tratamento o mais cedo possível. Isso porque, dados do relatório demonstraram que 66 mil novas infecções por HIV ocorreram entre as crianças porque suas mães não receberam nenhum tratamento antirretroviral ou para o HIV durante a gravidez ou amamentação.

“É claro que acabar com a transmissão vertical requer abordagens inovadoras que apoiem toda a mulher ao longo da vida, incluindo esforços intensificados de prevenção primária, como profilaxia pré-exposição (PrEP), acesso a cuidados reprodutivos integrais e atenção concentrada em meninas adolescentes e mulheres jovens”, afirmou o presidente e diretor executivo da Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation, Chip Lyons.

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