Negros têm 85% mais chance de morrer por Covid-19 em São Paulo do que brancos

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Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Uma análise científica das mortes registradas na cidade de São Paulo até o dia 17 de abril, pelo grupo de cientistas Observatório Covid-19 e a Prefeitura da cidade, concluiu que os pretos moradores que vivem na cidade têm uma chance 62% maior de morrer por Covid-19 do que os brancos. Os pardos têm 23% mais risco.

A classificação segue um padrão de raça/cor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): pardos e pretos são considerados como negros em conjunto. Os números também aparecem no boletim epidemiológico da cidade divulgado nesta terça-feira (28).

A autora do estudo, Karina Ribeiro, epidemiologista e professora-adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo explicou, em entrevista ao portal G1, que precisou fazer um ajuste matemático para chegar à taxa de risco por raça na cidade: “Peguei o número de toda a população de São Paulo por faixa etária, o número de óbitos por Covid-19, o número dos residentes por município. Aí, no final, calculamos a taxa de mortalidade ajustada por idade, uma forma de comparar levando em consideração a estrutura toda. Você tem grupo racial com mais gente idosa. Na realidade, a maioria das doenças precisamos fazer esse ajuste para fazer a conta”.

Em números absolutos, temos mais mortes em pacientes brancos. Essa única informação, no entanto, não representa que são eles os que têm o maior risco de perder a vida. O grupo de cientistas leva em consideração as características do vírus Sars CoV-2, a pirâmide etária de cada raça/cor na cidade, entre outros fatores, e assim ajusta o real risco de vida para o grupo racial.

De acordo com o mapa epidemiológico, divulgado na última segunda-feira (27) pela Prefeitura de São Paulo, as mortes por covid-19 continuam concentradas na periferia da cidade. Os bairros da capital que registraram o maior número de mortes suspeitas ou confirmadas pelo novo coronavírus a cada 100 mil habitantes foram Água Rasa, Pari, Artur Alvim, Limão e Alto de Pinheiros.

Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, continua sendo o distrito com maior número absoluto de mortos em São Paulo, segundo o mapa da Prefeitura. O bairro passou de 54 para 81 mortes por coronavírus confirmadas ou suspeitas. Crescimento de 39% em apenas sete dias. Por grupo de 100 mil habitantes, a Brasilândia tem 28,7 mortes.

Em toda a cidade de São Paulo, a prefeitura registrou 2.688 óbitos confirmados ou suspeitos na semana epidemiológica até 24 de abril.

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