Percentual de mulheres negras na universidade ainda é menor que de mulheres brancas, diz pesquisa

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Conforme a pesquisa divulgada pelo Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA), mulheres negras ainda são minoria entre os alunos que ingressam nas universidades, se comparada com mulheres negras. As mulheres brancas de 18 a 24 anos de idade, segundo a pesquisa, eram quase o dobro (29,2%) das mulheres negras (16,5%) que entraram no Ensino Superior de 2016 a 2019.

Os dados foram levantados a partir da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Durante esse tempo, a quantidade de negras aumentou levemente, de 15,2% para 16,9%, enquanto que a de brancas permaneceu praticamente a mesma.

Pesquisa trata de vários dados sobre a desigualdade na educação básica e superior, entre negros e bramcos /Foto: Pexels

O físico e integrante do Conselho Deliberativo do CEDRA Marcelo Tragtenberg defende a eficácia da Lei de Cotas.

“Os dez anos de existência da lei de cotas no ensino superior apresentaram resultados efetivos, o que demonstra que ações afirmativas na educação funcionam. No entanto, precisamos avançar no sentido de fortalecer políticas de apoio à permanência dos estudantes negros nas universidades até sua conclusão”, pontuou.

O levantamento também cruzou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e com o Censo Escolar (Educação Básica) de 2012 a 2019, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A partir deles, também foi constatado a diferença de escolaridade entre pessoas negras e brancas.

Apesar do período analisado mostrar que a diferença entre pessoas negras e brancas sem instrução ou com fundamental incompleto, com idade acima de 15 anos, passou de 13,6 pontos percentuais em 2012 para 10,9 em 2019, as situações ainda são bem diferentes.

O percentual de homens negros com atraso educacional foi de 40%, enquanto que de brancos, acima de 15 anos, diminuiu de 14,9% para 12,4% entre 2012 e 2019. No entanto, em 2019 a taxa de homens negros (40%) ainda superou a dos brancos em 2012 (33,9%).

Observando pelo recorte de gênero, mesmo com a redução na desigualdade entre mulheres negras e brancas, a diferença ainda é perceptível. Em 2012 as taxas foram de 44,7% para mulheres negras e 32,4% para brancas. Em 2019, esses números mudaram para 35,4% para negras e 26,2% para brancas.

Estes cruzamentos inéditos produzidos pelo CEDRA apontam o quanto as desigualdades raciais são persistentes no Brasil. A maioria dos dados mostra que mesmo quando constatamos avanços na escolaridade no geral, a distância entre brancos e negros continua. Daí a necessidade de se olhar sempre para além da média estatística e de implementar políticas educacionais focadas nos estudantes negros para que a educação avance de fato para todos”, explica Cristina Lopes, diretora executiva do CEDRA.

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