62% das crianças fora da escola são negras

Existem cerca de 57 milhões de crianças e adolescentes no Brasil destes, 31 milhões são meninas e meninos negros e 140 mil crianças indígenas. Eles representam 54,5% de todas as crianças e adolescentes brasileiros, segundo dados da Unicef. Mesmo sendo maioria, estes grupos ainda são os que mais sofrem com o racismo e a evasão escolar.

O preconceito racial nas escolas pode ser um dos diversos fatores que privam destes meninos e meninas o direito à educação.  Das 530 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, 330 mil (62%) são negras e 190 mil são brancas, de acordo com dados da Unicef.

Maioria das crianças fora da escola no Brasil, são negras

Um dos caminhos para combater o racismo escolar é o diálogo, conforme explica a psicóloga Ellen Moraes Senra: “A escola pode combater o racismo infantil conscientizando e orientando alunos e pais sobre o tema e punindo qualquer atitude relacionada a isso. Quanto mais cedo trabalharmos as diferenças e aceitação das mesmas, com mais naturalidade elas irão encarar qualquer coisa fora do “considerado normal”.

Estudos na área de educação infantil revelam que, ainda na primeira infância, a criança já percebe diferenças na aparência das pessoas (cor de pele, por exemplo).  A psicóloga Ellen Moraes Senra explica que a responsabilidade dos adultos é muito importante nesse momento, evitando explicações ou orientações preconceituosas: “A criança reproduz tudo o que vê e o que ouve, mas principalmente, ela segue exemplos. Se por um lado você diz que é feio ser racista, que é errado, mas se pega num dado momento tecendo comentários de cunho pejorativo sobre o cabelo ou sobre o tom da pele de alguém, seu filho fará o mesmo em algum momento. Portanto, adultos racistas tendem a criar crianças racistas, ainda que em algum momento de sua evolução a mesma possa modificar seu ponto de vista através do convívio com outras pessoas”.

O racismo e a pobreza têm uma relação histórica. Vinte e seis milhões de crianças e adolescentes brasileiros vivem em famílias pobres. Representam 45,6% do total de crianças e adolescentes do país. Desses, 17 milhões são negros. Entre as crianças brancas, a pobreza atinge 32,9%; entre as crianças negras, 56%. Uma criança negra tem 70% mais risco de ser pobre do que uma criança branca: “O racismo é uma herança da nossa história, da nossa cultura, por isso mesmo cabe a nós repararmos o erro e isso começa com as nossas crianças. É preciso falar sobre racismo com elas a partir do momento que manifestem essas questões, geralmente isso se inicia na escola quando começam a ver os coleguinhas tratando com agressividade quem é “diferente”. A partir daí surge a curiosidade em entender o porquê daquilo acontecer e costumam recorrer aos pais para tirar essas dúvidas. Os brinquedos podem ajudar nesse processo. As bonecas, por exemplo, têm a função de ser a “filha”. Então, deixe que a criança brinque com o brinquedo com o qual se identifica. Você pode não controlar os presentes que ela ganha, mas pode mostrar para a mesma as opções que ela tem e deixar que a própria criança escolha por identificação, isso ajuda muito”.

Thais Bernardes

Cursou Relações Públicas na UERJ onde ingressou pelo sistema de cotas. Através de um programa de intercâmbio da Universidade, formou-se jornalista pelo no Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris. Após a graduação especializou-se em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), na França. Atuou como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio.

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