Mulheres negras respondem por 62% dos casos diagnosticados com HIV na gestação

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Em dez anos, o Brasil teve um aumento de 38,1% na taxa de detecção do
HIV em gestantes: de 2,1 casos por mil nascidos vivos em 2008 para 2,9 em
2018, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 2019.

Exceto a região Sudeste, todas as outras apresentaram aumento da detecção
do HIV durante a gravidez. As regiões Norte e Nordeste tiveram as maiores
altas, de 87,5% e 118,1% respectivamente.

Mulheres negras respondem por 62% dos casos diagnosticados de HIV na gestação.

O aumento é explicado, em parte, pela ampliação do diagnóstico no pré-natal. Com o uso da terapia antirretroviral (Tarv) durante a gestação, o risco de transmissão da mãe para o filho é menor que 2%.

“Boa parte das mulheres descobre seu estado sorológico no pré-natal. É a principal estratégia de testagem entre elas”, diz Alexandre Grangeiro, pesquisador do departamento de medicina preventiva da USP que já dirigiu o programa de DST/Aids do Ministério da Saúde.

Segundo o pesquisador, outra hipótese que explicaria o aumento da taxa de detecção nessa fase da vida da mulher é o fato de que, com o advento da terapia antirretroviral, muitas soropositivas estão se sentindo mais seguras para engravidar.

De acordo com dados do último boletim do Ministério da Saúde, dos 900 mil brasileiros com HIV, 766 mil foram diagnosticados, 594 mil fazem tratamento com antirretroviral e 554 mil não transmitem o HIV porque estão com a carga viral indetectável.

O balanço aponta ainda que o número de pessoas com o vírus continua subindo no país: em 2017, eram 866 mil. Somente em 2018, foram notificados 43,9 mil novos casos.

Os homens respondem por 69% do total de casos. Entre eles, 42,6% são brancos e 48,1%, negros.

Entre as mulheres, a proporção de negras é maior: 53,6% são pardas e pretas e 37,2% são brancas. Em 8,4% dos casos, a informação sobre raça/cor é ignorada.

Fonte: Folha de São Paulo


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