Mortes de jovens negros por arma de fogo crescem 428% em 20 anos

A violência contra jovens cresce em todo o país, porém os jovens negros são as principais vítimas. De acordo com um levantamento da Fundação Abrinque, divulgada pela GloboNews, o número de homicídios de jovens negros por arma de fogo aumentou 428% nas duas últimas décadas.  

Entre os anos de 2016 e 2017 houve um aumento de 8% de assassinato de jovens negros, enquanto o de jovens brancos caiu 9% no mesmo período.

A Fundação Abrinque considerou esses dados como “um cenário de guerra civil que o Brasil passa hoje”. Nos últimos 20 anos, período determinado pela pesquisa, o assassinato de negros sempre foi mais do que o dobro do que os não negros. Em 1997 , foram 1.450 crianças e adolescentes executados contra 772 brancos. Em 2017, o número de jovens negros assassinados foi cinco vezes maior do que há que 20 anos, foram 7.670 vidas negras perdidas e 1.563 brancas.

“A violência letal é uma das dimensões de todas as vulnerabilidades as quais esse jovem está exposto. Provavelmente estes jovens estão expostos à outras vulnerabilidades como ausência de escola, direitos e serviços que ele deveria ter tido acesso como os demais jovens não negros. Isso não é um fato isolado, é parte de um contexto social onde esse jovem vive”, explicou Eloisa Oliveira, Fundadora Executiva da Fundação Abrinque em entrevista à GloboNews.

Em 2017, 80% dos mortos em todo o Brasil eram negros, e 17,5% brancos. No Ceará, 91% dos jovens assassinados são negros, No Rio de Janeiro, 78% e em São Paulo 51,7%

“A violência precisa ser entendida e tratada como um fenômeno social mais amplo e precisamos ver outras políticas para o combate a esta violência . É preciso políticas de proteção e prevenção para que estas crianças não estejam tão expostas a esses casos de homicídio. Sem políticas de prevenção esse quadro pode se agravar. Se nada for feito essas estatísticas vão se repetir nos próximos anos”, alertou Eloisa Oliveira .

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