M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida estreia nesta quinta-feira

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Protagonizado por Juan Paiva, que interpreta o jovem Maurício, o longa metragem chega às telas nesta quinta-feira (3). ‘M-8 – Quando a Morte Socorre a Vida’ é baseado no romance homônimo de Salomão Polakiewicz e é dirigido por Jeferson De. A produção conta com atores de renome nacional e internacional, como Ailton Graça, Zezé Motta, Léa Garcia e Alan Rocha.

Alan Rocha contracenando com Juan Paiva – Foto: Vantoen Pereira Jr.

Para falar um pouco mais sobre o filme, o Notícia Preta conversou com o ator, cantor e compositor Alan Rocha, que interpreta Sinvaldo, um funcionário da Universidade, e ele falou sobre o filme em si, sobre ser negro no Brasil e fez uma análise do atual cenário que o país vive, principalmente depois do assassinato de Beto Freitas, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre, no início de novembro.

Alan ressalta que o ambiente de uma universidade de medicina ainda é muito elitizado e branco e a importância do Ubuntu nas relações entre pessoas negras que chegam a esses espaços. “Sinvaldo é um dos funcionários da faculdade e se depara com surpresa e orgulho em ter Maurício na faculdade, um aluno negro estudando medicina. A relação entre Sinvaldo, Sá (Ailton Graça) e Mauricio (Juan Paiva) aumenta principalmente por conta dos questionamentos do novo aluno sobre os corpos negros da aula de anatomia e outros desabafos”, afirmou. Alan lembra ainda que Sinvaldo e Sá se identificam automaticamente com Mauricio, que demonstra uma grande fixação por M8. “Maurício vê nos amigos o caminho para selar sua angústia em querer a origem, a identidade e a historia desse corpo e dar a ele a paz desejada”, disse.

Sinvaldo e Sá, Alan Rocha e Ailton Graça, interpretam os negros funcionários da faculdade – Foto: Vantoen Pereira Jr.

Paralelo com a realidade

Em uma infeliz coincidência, o filme é lançado após o assassinato brutal do Beto Freitas e, ainda segundo Alan, o filme dialoga com essa realidade de várias formas. “Mauricio se depara e se questiona ao ver apenas cadáveres negros na aula de anatomia. Ele se encontra com mães em manifestação na rua, em busca dos seus filhos desaparecidos. Em outro momento, Mauricio é abordado de forma truculenta por dois policiais. Isso é uma de suas angústias e faz um paralelo com as nossas também. São vários momentos que o filme traz uma reflexão. E o genocídio da população negra está relacionada a essas e outras ações. E tem o fato de que hoje em dia o celular nos permite registrar cenas de racismo e genocídio mas sempre existiu”, desabafou.

Assista o Trailer do Filme M-8

Ações afirmativas

Mesmo não sendo cotista na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde cursou Música, Alan enfatiza que as ações afirmativas são extremamente importantes para as novas gerações. “Eu sou o caçula de 3 filhos, e fui o primeiro a entrar na faculdade e me formei na UFRJ, em Licenciatura em musica. Eu entrei antes das chamadas cotas, mas o Maurício sim, e é importante que essas ações se mantenham. Um país com mais de 56% da população negra tem que ter no mínimo, igualdade”, comentou.

Vida e arte

Alan faz um comparativo entre a realidade e a ficção descrita no filme. “Penso que Sinvaldo é um daqueles que cresceram pensando em ajudar os pais a ter um dinheirinho porque a sociedade, desde o regime escravocrata, quer colocar o negro em posição inferior e ele é meio que uma semente disso, mas a chegada de Mauricio já deu a ele esperança que vai ser levada para o seu filhos, seu vizinho e para os que virão. E assim ele passa a ser mais um nas ações afirmativas mesmo que em casa e na sua vizinhança. Não é fácil sair do Suburbio e ter que ensaiar um musical o dia todo na Zona Sul, na Barra pegar ônibus, trem, metrô e quando chegar atrasado levar aquela chamada do patrão. O sacolejo do transporte público lotado nos faz não desistir. Este sacrifício nos conduz a vitória é assim que vou seguindo e correndo atrás e ajudar a abrir as portas pra quem vem”, finalizou.

O filme

M-8 Quando a Morte Socorre a Vida é o primeiro filme que Alan Rocha participa e o terceiro trabalho realizado com o diretor Jeferson De. A obra estreia na próxima quinta-feira (3) e conta também com Rocco Pitanga e Lázaro Ramos em participações especiais na trama.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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