A disputa sobre como regulamentar o trabalho por aplicativos expôs divergências entre lideranças de entregadores em São Paulo. No domingo (01), o ativista Paulo Roberto da Silva Lima, o Galo de Luta, afirmou que a única pauta legítima do movimento é a fixação de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega e acusou organizações políticas de tentarem substituir a mobilização direta por articulações eleitorais em torno de projetos de lei no Congresso.
Conhecido por ter participado do protesto que incendiou a Estátua de Borba Gato, Galo criticou a aproximação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do deputado Guilherme Boulos com parte da categoria. Segundo ele, haveria uma mudança de foco do Projeto de Lei 2479 para outro texto mais amplo de regulamentação.
“Atualmente o breque só tem uma liderança e se chama taxa mínima de R$ 10,00. Qualquer um que diga representar os motoca e esteja negociando menos que isso, não merece sua atenção”, escreveu.
Projetos diferentes, estratégias diferentes
A crítica faz referência a duas propostas em tramitação no Congresso.
O PL 2479/2025 trata especificamente dos entregadores e prevê medidas como remuneração mínima por entrega, seguro contra acidentes e mais transparência das plataformas sobre valores e distâncias.
Já o PLP 152/2025 — citado por Galo como “PLP 159” — propõe um marco regulatório mais amplo para o trabalho em aplicativos, incluindo motoristas e entregadores, com regras gerais sobre previdência, contratos e responsabilidades das empresas.
Para o ativista, a segunda proposta dilui a principal reivindicação econômica da categoria. Ele afirma que o MTST e Boulos teriam migrado a defesa do PL 2479 para o PLP e acusa o grupo de priorizar construção de base política em vez de fortalecer as paralisações.
“Só existe uma coisa que aumentou as taxas até hoje e foi o breque. Nada além do breque foi capaz de pressionar os aplicativos”, declarou. Em outro trecho, completou: “Estão desmobilizando a troco de ganho pessoal e eleitoreiro”.
Racha no movimento
O debate evidencia duas linhas de atuação: uma que aposta na negociação institucional e na criação de regras nacionais permanentes, e outra que defende pressão direta por meio de paralisações e boicotes às plataformas.
Enquanto parte das lideranças vê na regulamentação uma forma de garantir direitos mínimos por lei, setores ligados ao breque argumentam que conquistas concretas só vieram com mobilização nas ruas. O impasse mantém a categoria dividida justamente no momento em que discussões sobre direitos trabalhistas dos apps avançam no Legislativo.
Foto de capa: Paulo Pinto/Agência Brasil
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