Comunidade gaúcha sofre com falta d’água e focos de incêndios

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Além disso, a pandemia do coronavírus preocupa moradores do bairro Morro Santana, em Porto Alegre (RS)

Comunidade reclama da falta d’água e os focos de incêndios frequentes – Foto: João Pedro Tavares

Em meio a uma pandemia, como a do Coronavirus, a comunidade do Morro Santana, em Porto Alegre, está sem abastecimento regular de água desde novembro de 2019, uma das maneiras mais eficazes de se combater o Covid 19. Além disso, o calor do período gera inúmeros focos de incêndios na região. 

De acordo com a pesquisa Aspectos da Desigualdade Racial em Porto Alegre, realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Morro Santana é o segundo com mais presença negra na capital gaúcha e tem sua distribuição de água feita por três caixas d’água, mas uma delas está danificada.

Para Luciana Delavi, 54 anos, é moradora da região e ressalta que planejar a rotina na escassez de água é uma tarefa difícil. Segundo ela, não se pode organizar a vida conforme a disponibilidade do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) e, além disso, destaca uma das preocupações recentes de todos os moradores da região, os cuidados no combate do coronavírus. “É um absurdo organizar a vida conforme a disponibilidade do DMAE. O Departamento impede prevenção contra coronavírus. Chegar da rua e não poder sequer lavar as mãos. Sem exagero é isso”, afirmou.

Ainda segundo moradores, não existe um horário fixo ou um pré-aviso para acabar a água, mas, geralmente, é entre 16 e 18 horas e retorna apenas no dia seguinte, pela madrugada. Em algumas zonas do Morro Santana, às vezes a distribuição só retorna depois de 24 horas de interrupção. 

Procurado pela reportagem do Notícia Preta, o Departamento Municipal de Água e Esgoto ainda não se posicionou a respeito da falta de água regular no bairro.

Coronavírus 

No combate ao coronavírus, o governo do Estado declarou a situação de calamidade no Rio Grande do Sul no dia 19 de março, na edição extra do Diário Oficial. Em Porto Alegre, o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) publicou três decretos no dia 21, onde os principais pontos envolvem o fechamento de estabelecimentos comerciais, as normas de higienização e proteção sanitária nos comércios ativos e a recomendação de isolamento social. Em entrevista ao Notícia Preta, o presidente da Associação dos Moradores da Vila Tijuca (região do Morro Santana) e comunicador da rádio comunitária A Voz do Morro, Rodrigo da Silva Rodrigues, explica um pouco mais sobre o descaso das instituições e administrações públicas com a região que, além de não possuir água para tarefas básicas, enfrenta os focos de incêndios na região pelo calor da estação e a preocupação com a pandemia.


Entrevista com Rodrigo da Silva Rodrigues, presidente da Associação dos Moradores da Vila Tijuca e comunicador da rádio comunitária A voz do Morro
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Ariel Freitas

Jornalista, escritor, rapper e ativista. Criado nos becos estreitos da Vila Estrutural e pelas esquinas do Morro Santana, ambos localizados na zona norte de Porto Alegre. Aos 16 anos, Ariel Freitas era campeão de freestyle na maior batalha do estado do Rio Grande do Sul, a famosa Batalha do Mercado. Atualmente, Ariel Freitas escreve sobre os impactos do racismo na Capital da desigualdade racial. Uma Porto nem tão Alegre assim.

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