Mais da metade dos adolescentes e jovens brasileiros afirma já ter vivenciado ou presenciado situações de preconceito em espaços religiosos. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Ensino Social Profissionalizante, em parceria com a consultoria Diverse Soluções, com jovens de todas as regiões do país.
O levantamento ouviu 3.203 participantes, com idades entre 14 e 24 anos, atendidos por programas e projetos do Espro. Segundo os dados, 55% dos entrevistados relataram episódios de preconceito em ambientes como igrejas, templos, sinagogas, mesquitas, terreiros e outros espaços religiosos.
A pesquisa também aponta que a religiosidade segue presente na vida da maioria dos jovens. De acordo com o estudo, 70% afirmam seguir alguma religião, crença ou prática espiritualista, enquanto 80% dizem conhecer ou já ter ouvido falar sobre o conceito de tolerância religiosa. Ainda assim, os relatos indicam que situações de intolerância permanecem recorrentes nesses ambientes.

Embora os espaços religiosos não liderem em número absoluto de episódios de preconceito quando comparados a outros contextos do cotidiano, como escolas e faculdades, onde o índice chega a 78%, ou serviços e espaços públicos, com 72%, eles aparecem com destaque quando o recorte é a frequência. Para 9% dos jovens, o preconceito acontece sempre em ambientes religiosos, percentual superior ao registrado na escola ou no ambiente familiar, ambos com 6%.
Outro dado relevante do levantamento é que os espaços religiosos foram apontados como os locais onde os jovens mais sentem a necessidade de esconder ou omitir características pessoais, como identidade de gênero, orientação afetivo-sexual, etnia ou deficiência. Nesse contexto, 12% afirmam omitir essas características com frequência em ambientes religiosos. O ambiente familiar aparece logo em seguida, com 11%.
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A pesquisa também mostra que os espaços religiosos são os ambientes que os jovens mais deixam de frequentar por não se sentirem seguros ou confortáveis para expressar suas diversidades. Para 9% dos entrevistados, essa situação ocorre sempre, enquanto outros 7% afirmam que acontece muitas vezes.
Entre os jovens participantes, a maior parcela se identifica como evangélica ou protestante, representando 26,4% do total. Em seguida aparecem os católicos, com 21,2%. Quase 8% dos entrevistados se declaram umbandistas ou candomblecistas, evidenciando a diversidade religiosa presente entre a juventude brasileira.
A Pesquisa Diversidade Jovem Espro/Diverse foi realizada por meio de questionário online entre os dias 8 de outubro e 7 de novembro de 2025. O estudo apresenta grau de confiabilidade de 99% e margem de erro de dois pontos percentuais.










