HQ ‘Cannabis’ fala sobre a relação da proibição do consumo de maconha nos EUA e o racismo

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“Cannabis: A ilegalização da maconha nos Estados Unidos” é uma HQ de 256 páginas, em preto e branco, e de não ficção que chegou às livrarias no início de 2019 e agora ganha um edição em português.

A história é escrita pelo quadrinista americano Box Brown. Aos 16 anos Brown foi preso por posse de maconha e entendeu naquele momento como a justiça racista dos EUA poderia ter impacto direto em sua vida e na de milhões de negros: “Pude ver um pouco do sistema e como eles tratavam meus pares, que não eram brancos e vinham de uma cidade menos rica. Desde então, acho que eu estava me coçando para contar essa história”, disse o quadrinista em entrevista ao jornal O Globo.

A HQ começa falando sobre a origem mitológica da planta a partir de crenças hindus, como uma das riquezas decorrentes dos esforços do deus Shiva pela busca do néctar da imortalidade, sob orientação do deus supremo Vishnu.

Para produzir o álbum Brown realizou uma vasta pesquisa bibliográfica que explica a tese de que todo o processo de combate e proibição do consumo e da difusão da maconha nos EUA tem o racismo como ponto de partida.

“Eu tinha plena consciência de que nosso sistema é racista. Um sistema no qual pessoas não brancas são presas em uma taxa muito mais alta por causa de maconha. Mas não estava realmente consciente de que sempre foi assim e que, de fato, esse foi o ponto de partida para a proibição”, explica o quadrinista em seu álbum.

O quadrinho ‘Cannabis: A ilegalização da maconha nos Estados Unidos’ Foto: Reprodução

Desde o inicio da chegada da maconha nos Estados Unidos o país esteve empenhado em combater a plantação e o consumo da erva. Brown conta no livro como uma briga entre texanos brancos e imigrantes mexicanos portando maconha fez com que a cidade de El Paso se tornasse a primeira cidade dos EUA a criminalizar a maconha, em 1914.

Grande parte da obra é focada no empenho de Harry J. Anslinger (1892-1975), primeiro comissário do Departamento Federal de Narcóticos — órgão criado após o fim da Lei Seca sob apoio da indústria farmacêutica — e propagador de desinformação sobre a maconha em pesquisas fictícias difundidas em jornais e revistas da época.

“Não queria pegar leve ou soar hesitante e queria martelar esse posicionamento com fatos. Sou muito passional em relação a todos os temas pelos quais tenho mais interesse, mas realmente sinto que esse é extremamente importante”, afirma o autor.

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Mesmo criminalizado em nível federal nos EUA, o consumo da erva já foi legalizado em 33 estados do país para uso medicinal, sendo que 10 deles já legalizaram o uso recreativo para adultos a partir dos 21 anos.

“Cannabis” é o primeiro álbum de Brown publicado no Brasil. O autor é cocriador e editor do selo independente Retrofit Comics, pelo qual publica títulos próprios e de colegas, ele intercala projetos mais pessoais com trabalhos biográficos e documentais lançados pela editora First Second Books, selo de quadrinhos da gigante editorial Roaring Brook Press.

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