Hospital de campanha do Maracanã tem ventiladores respiratórios removidos para inauguração de outra unidade no Rio de Janeiro

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A unidade de saúde montada no Maracanã teve 20 dos 29 equipamentos que auxiliam a respiração removidos para outra unidade, segundo as denuncias

Respiradores. Foto: Reprodução

Funcionários do hospital de campanha do Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, denunciam a retirada de 20 ventiladores respiratórios dos 29 equipamentos novos da unidade. Segundo os profissionais de saúde, na última sexta-feira (15), a Organização Social (OS) que gere o complexo removeu mais da metade dos respiradores do local para levar ao Hospital de Campanha de São Gonçalo, que será inaugurado no município neste domingo (17).

A unidade de saúde é uma das seis sob gestão do governo de Wilson Witzel. Uma funcionária do local, que não quis se identificar, informou que a situação deixou a todos perplexos. “A gente recebeu a notícia de que todos os ventiladores novos iam ser levados para o hospital de campanha de São Gonçalo, porque lá ia ser inaugurado. A gente até não acreditou que ia ser verdade, mas na parte da tarde o coordenador foi lá e levou 20 dos ventiladores novos que nós recebemos. Foram em torno de 29 ventiladores no total, aí ele levou 20”, relatou.

A Secretaria de Estado de Saúde informou, através de nota, que as denúncias serão apuradas e caso seja comprovada alguma irregularidade, irá notificar a Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), a organização contratada para administrar os hospitais de campanha no Rio de Janeiro. O órgão público ainda informa que tem realizado vistorias técnicas diariamente no hospital de campanha do Maracanã para reparar as falhas da gestão.

Hospital de campanha do Maracanã — Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ

Através de nota, a Iabas informa que todos os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Maracanã possuem ventiladores e que remanejam constantemente equipamentos, técnicos, material e medicamentos entre suas unidades, não tendo falta de ventiladores para nenhum paciente de seus hospitais.

O hospital de campanha do Maracanã começou a funcionar no sábado passado (9), com capacidade para 400 leitos, mas apenas 170 estão funcionando, sendo 50 deles para UTI, segundo os profissionais de saúde. No entanto, a Secretária de Saúde informa que a unidade de campanha do Maracanã está, no momento, equipado com 87 respiradores e conta 200 leitos abertos, com 121 pacientes internados até este sábado (16).

Na última quinta-feira (14), enfermeiros e técnicos de enfermagem já haviam denunciado a unidade de saúde por falta de estrutura para os agentes que trabalhavam no local. Em registro visual, é possível ver colchões no chão com os profissionais da saúde descansando. O Iabas informou, também através de nota, que as imagens se referem a um treinamento de enfermeiros no Pavilhão B que, segundo ela, ainda não foi aberto, e os dormitórios estavam fechados.

“Houve um erro de preparação para atender esse tipo de demanda que não se repetirá. A preocupação maior naquele momento foi com o treinamento dos colaboradores. É importante frisar que as imagens não se referem a algo recorrente, foi um problema pontual já contornado”, afirma a organização que providenciou roupas de cama para a unidade.

O Rio de Janeiro contabiliza um total de 2.438 óbitos pela doença Covid-19, até o último boletim divulgado na sexta-feira (15).


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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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