Grife italiana pede desculpas após campanha racista que coloca modelos negros como primitivos e com correntes nos pés

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Após lançar uma campanha com modelos negros com correntes próximas aos pés para criar um mood “selva”, a grife de luxo italiana, Marni, publicou uma nota dizendo lamentar “sinceramente que nossos esforços tenham causado mais dores”.

Divulgada no dia 24 de julho por e-mail e pelo perfil oficial no Instagram da marca, a campanha que pretendia, segundo a marca, celebrar o povo, a cultura e a diversidade brasileira, foi na verdade mais uma ação racista. Fotografada pelo brasileiro Edgar Azevedo e dirigida por Giovanni Bianco, as imagens traziam uma série de estereótipos racistas.

As fotos, feitas em uma praia em Salvador (BA), tinham modelos retintos, usando biquínis e sungas e acompanhados de expressões como “clima de selva”, “amuleto tribal” e “descalço na selva”. Além disso, em uma das imagens um modelo negro usa correntes próximas aos pés, remetendo aos grilhões usadas no período da escravidão. Após diversas acusações e a retirada das imagens das redes sociais, a marca lançou um comunicado com um pedido de desculpas.

Em um comunicado, a grife se desculpa e aponta que a campanha teve um impacto oposto. “Pedimos desculpas pelo dano e ofensa que nossa última campanha causou. O que se pretendia ser uma campanha que celebrava a beleza da cultura afro-brasileira sob a perspectiva do fotógrafo brasileiro Edgard Azevedo concretizou-se tendo o impacto oposto. Nossas fiscalizações ao longo do processo de revisão são inaceitáveis ​​- e, por isso, lamentamos muito”.

A marca pede desculpas: “A equipe da Marni está totalmente comprometida em defender a inclusão e celebrar a beleza de diversas culturas em todo o mundo. Enquanto nos esforçamos para criar um mundo mais eqüitativo, através da moda e da humanidade compartilhada, lamentamos sinceramente que nossos esforços tenham causado mais dores”.

E continua “Removemos imediatamente essas imagens e estamos redobrando nossos esforços para garantir que nossos processos sejam realizados com consideração e intencionalidade por meio de uma forte lente de equidade. Toda a nossa equipe está comprometida em usar esse momento como uma oportunidade de alavancar nossa plataforma para apoiar e capacitar mais vozes e criadores de cores, cujos talentos e idéias são fundamentais para criar uma indústria da moda mais inclusiva e diversificada”.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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