Grife Animale é obrigada a indenizar em R$45 mil cliente vítima de racismo

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Em 2015, o filho do o norte-americano Jonathan Duran, morador da Zona Oeste da capital, foi vítima de racismo por parte de uma funcionária da Animale. O caso ocorreu em uma loja da empresa na Rua Oscar Freire, nos Jardins. Na ocasião o menino Lucas, que é negro e tinha 8 anos na época, estava na calçada do estabelecimento esperando pelo pai, quando foi abordado por uma vendedora que disse que ele não “poderia vender nada por ali”.

Quatro anos após o episódio racista a Animale, que pertence a um grupo carioca que controla outras marcas famosas como Fábula e Farm, foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar R$ 45 mil reais por danos morais em uma ação indenizatória.

Em depoimento na Justiça, a funcionária disse que ‘confundiu’ o garoto com outros que vendem produtos nas ruas da região. Segundo ela, na ocasião, Lucas segurava os mesmos tipos de adesivos que os menores ambulantes comercializavam nas calçadas.

Mesmo se tratando de um caso de racismo, a sentença foi proferida para caso de danos morais. “É preciso anotar que não há elementos nos autos mostrando que Lucas foi tratado ou ofendido com palavras preconceituosas, nem, repisa-se, de cunho racista”, diz a decisão assinada pelos desembargadores Coutinho de Arruda, Mauro Conti Machado, Miguel Petroni Neto, Jovino de Sylos e Simões de Vergueiro.

Para Duran o filho deve aprender com este caso: “Ele (Lucas) precisa saber o que aconteceu, e saber que existe o racismo no mundo. Espero que a luta que assumi por esse caso sirva como exemplo, que não é para ele aceitar o racismo passivamente”.

O prazo para a Animale recorrer da sentença se encerrou no início de julho. Os R$45 mil reais foram pagos pela empresa, e a família aguarda a liberação do dinheiro. Desse valor, R$ 15 mil reais são para o pai, e R$ 30 mil reais ao filho.

Por meio de nota, a empresa disse que: “o processo foi concluído e devidamente esclarecido na esfera jurídica não havendo condenação por discriminação por preconceito racial ou social. E que a indenização de 45 000 reais foi a título de danos morais devido aos transtornos causados pela situação. O processo já foi concluído e encerrado”.

Este não é o único episódio preconceituoso e criminoso no histórico da merca. Em 2017, a Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou migrantes bolivianos trabalhando mais de 12 horas por dia em oficinas que costuram roupas para as grifes de luxo Animale e A. Brand. De acordo com os fiscais, os funcionários ganhavam 5 reais por peça costurada. Nas lojas, os preços das roupas podem chegar a quase 700 reais.

Além disso, os funcionários eram submetidos a condições insalubres: dormiam no mesmo local em que costuravam e conviviam com baratas e instalações elétricas precárias. Para os fiscais, a combinação dessas condições caracteriza  condições de trabalho análogas a escravidão.

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