Coletivo da periferia denuncia violência policial e racismo durante pandemia por meio de campanha em Vitória (ES)

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A campanha possui ao todo dez peças que orientam os moradores a como lidar com a polícia e outras situações – Imagem: Reprodução/Coletivo Beco

Na última semana, em Vitória (ES), o Coletivo Beco, com apoio do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) e da Nova Frente Negra Brasileira, lançou a campanha Periferia sem Mãe, uma série de dicas para “prevenir”, e que ao mesmo tempo evidenciam, a violência policial nas comunidades periféricas.

A campanha foi desenvolvida especificamente para este momento de pandemia do novo coronavírus. O Coletivo Beco atua suprindo desde necessidades culturais às necessidades básicas da população do Território do Bem, região que abriga os bairros Bonfim, Bairro da Penha, Consolação, Engenharia, Floresta, Gurigica, Itararé, Jaburu e São Benedito, na capital capixaba.

No início deste mês, segundo moradores do bairro Bonfim e gravações, a Polícia Militar em busca por um traficante, chegou ao local atirando, destruindo bens materiais e ofendendo verbalmente as pessoas. Houve tiros de bala de borracha, que atingiram moradores, entre eles crianças, e balas letais, deixando as casas marcadas com buracos e quebrando o cano de duas moradias. Ainda segundo moradores, esse tipo de abordagem policial é constante na região e após o último ocorrido, o poder público foi acionado. 

As peças da campanha Periferia sem mãe contam com sugestões de comportamentos que para quem não mora em bairros periféricos podem parecer comportamentos de submissão à polícia, como “se você ver um policial, abaixe a cabeça”, “mulheres, se o policial te xingar, apenas ore pelas mulheres da família dele”, “deixe baldes de água cheios dentro de casa para o caso da polícia quebrar seu cano”, evidenciando assim a violência e a relação abusiva da polícia com os moradores do Território do Bem em Vitória.

“A campanha foi elaborada pois o governo é omisso às ações truculentas da polícia nas periferias. A verdadeira necropolítica instalada em tempo de pandemia! Não é para submissão, é para proteger os nossos da mão do sistema racista que sobe o morro para caçar nossos corpos. Isso é uma forma de pensar alternativas enquanto o Estado não age como deveria agir”, afirma Crislayne Zeferina, integrante do Coletivo Beco.

A campanha Periferia sem mãe possui 10 peças ao todo que além de orientarem os moradores de como lidar com a polícia, orientam-os como proteger as crianças de tiroteios, a como lidar com escassez, e também os incentivam a ligar para a Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (27 98876-1761).


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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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