“Em algum momento o racismo te chama, ninguém está livre dele”, diz Taís Araújo, sobre sua personagem em ‘Medida Provisória’

APOIE O NOTÍCIA PRETA

Reportagem: Murillo Otávio

Atriz Taís Araújo falou sobre a personagem no filme ‘Medida Provisória’, durante a coletiva de imprensa de lançamento, realizada na última segunda-feira (28), em São Paulo. A obra é o primeiro filme dirigido por Lázaro Ramos que chega aos cinemas dia 14 de abril.

Tais Araújo e Alfred Enoch em cena do filme – Foto: Divulgação/

A obra retrata um Brasil distópico, sob um regime autoritário que, através de uma medida provisória, determina o envio obrigatório da população negra para a África como reparação histórica. Taís interpreta Capitú, uma médica negra letrada que, durante o caos racial pela medida do Governo, encontra na ancestralidade o caminho estratégico para proteger a liberdade coletiva da população negra. 

Leia também: “Este é um filme sobre resistência negra”, afirma Seu Jorge, no lançamento do filme Medida Provisória

Taís falou sobre a construção da personagem que, embora seja letrada racialmente, vivia num ambiente branco com privilégios. “A Partir daí fizemos toda a trajetória dela, até ela entender onde está e com isso a fortalece. E daí ela escolhe esse caminho, na verdade não há outra escolha quando nasce negro nesse país”, afirma ao Notícia Preta

O advogado Antonio, personagem vivido por Alfred Enoch, é casado com Capitú e se torna o principal alvo das autoridades pela sua posição combativa à reparação imposta. Para não incorrer no crime de invasão a domicílio, a polícia só pode capturar os indivíduos nas ruas. Antonio passa a viver dentro de casa, enquanto Capitú foge quando policiais invadem seu consultório.

Historicamente, mulheres negras foram marginalizadas do debate público e da participação política no Brasil, com Capitú não foi diferente. Antes da medida entrar em vigor, a médica vivia num ambiente majoritariamente branco. Caçados pela obrigatoriedade de migrar ao continente mãe, os negros promovem aquilombamentos, assim como ocorreu no Brasil na época da escravidão. Capitú foge do aparato policial e encontra um dos diversos aquilombamentos na cidade.

Através de debates, ambiente acolhedor e seguro, Capitú reflete sobre seu posicionamento racial numa sociedade violenta. Há diversas teorias de contra-ataque ao Governo, mas, sob conselhos das mulheres mais velhas, Capitú assume uma posição de liderança estratégica.

O protagonismo da mulher negra realça a importância na luta antirracista e sua posição de resistência. Capitú, através de movimentos articulados, consegue salvar seu marido que sofre com a repressão e o monitoramento 24 horas pela polícia. “Não existe só um tipo de mulher negra, existem também as que não são letradas raciais que, vão se letrar durante o caminho, ou não, a vida vai chamar. São muitos caminhos e nossa escolha foi essa”, disse Taís ao Notícia Preta.

APOIO-SITE-PICPAY

5 Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.