Durante live, Bolsonaro toma ”copo de leite” símbolo nazista de supremacia racial

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Na noite da última quinta-feira (29), durante uma live presidencial, Jair Bolsonaro mais uma vez chamou atenção ao tomar um copo de leite puro. O gesto, de acordo com pesquisadores, tem uma correlação com movimentos neonazistas, que adotam a prática como símbolo de supremacia racial. O presidente, no entanto, estaria cumprindo um desafio da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Apesar disso, ele não ”desafia” ninguém a participar do movimento quebrando a corrente do que estaria realizando. 

Bolsonaro tomando copo de leite durante live presidencial. Gesto é um símbolo nazista. Foto: Reprodução

 “O leite é o tempo todo referência neonazi. Tomar branco, se tornar branco. Ele vai dizer que não é, que é pelo desafio, mas é um jogo de cena, como eles sempre fazem. Bolsonaro pode se escorar no Shavuot, festa judaica que teve início na quinta-feira, para se justificar pelo ato, que ocorreu no mesmo dia em que explodiram manifestações em Minneapolis contra a violência policial contra negros – em razão do bárbaro assassinato de George Floyd. O leite como símbolo está diretamente ligado aos chamados “alt-right” estadunidenses. “O cara é engenhoso”, comentou à Revista Fórum, a antropóloga Adriana Dias, que é doutora em antropologia social e que há anos pesquisa o fenômeno do nazismo. 

supremacistas brancos bebendo leite. Foto: Reprodução/ The New York Times

Nas redes sociais, o gesto de Bolsonaro repercutiu. O antropólogo David Nemer postou em sua conta do twitter que “o extremismo do Bolsonarismo é tão tosco que eles apropriam tudo da Alt Right (extremistas brancos americanos) e com atraso – já que isso começou nos EUA em 2017”, declarou. 

Ainda de acordo com o pesquisador, “Nacionalistas brancos fazem manifestações bebendo leite para chamar a atenção para um traço genético conhecido por ser mais comum em pessoas brancas do que em outros – a capacidade de digerir lactose quando adultos. É uma tentativa racista para se embasar em “ciência” para diferenciar e justificar a “raça branca”. Mas como já provado e explicado por toda ciência: Não há evidência genética para apoiar qualquer ideologia racista. O que há, é na verdade, um governo tosco e motivado pelo ódio”, pontuou Nemer.

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