Contratação de estagiários negros triplica no 1º trimestre de 2021, segundo Companhia dos Estagiários

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O número de estagiários negros triplicou no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o levantamento da Companhia dos Estágios, nos primeiros três meses de 2020, 250 estagiários pretos e pardos foram admitidos, e neste ano, o número subiu para 743, um aumento de 197%. Ao todo, a pesquisa entrevistou 3.347 estudantes negros.

O mapeamento feito pela Companhia de Estágios aponta também que a maioria dos estagiários pretos e pardos são mulheres (55%), moram no Sudeste (85%) e têm idade média de 23 anos. Depois do Sudeste, as regiões que mais possuem negros estagiando são Nordeste (6%), Norte (4%), Sul (3%) e Centro-Oeste (2%). A pesquisa pontua também que algumas desigualdades, como nível de inglês e Excel, ainda persistem. O número de negros aprovados com inglês avançado é menor do que o de brancos: 33% dos pretos aprovados afirmam ter inglês avançado; contra 54% dos brancos. O mesmo acontece com Excel: entre os contratados pretos, 17% tinham conhecimento avançado da ferramenta; contra 23% dos brancos.

O crescimento de contratações de universitários negros acontece em meio ao aumento no número de programas de estágio que visam promover a diversidade racial nas empresas. Segundo dados, entre 2018 e 2020, o índice de estagiários não-brancos subiu para 150%, um aumento significativo em comparação com 2018 e 2019, que cresceu 96%.

“Antes, as empresas se preocupavam em incluir pessoas com alguma deficiência nos programas de seleção. Isso mudou de forma acelerada e a preocupação hoje é atrair não só PCDs, mas negros, mulheres, pessoas mais velhas e o público LGBTQIA+. Há pouco tempo, esses temas nem entravam em pauta; hoje, as discussões partem disso”, diz Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios.

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O levantamento ainda mostra que 38% dos não-brancos que trabalham como estagiários são oriundos de escola pública, número 111% maior do que em 2019, quando 18% estudavam em instituições municipais, estaduais ou federais. Entre os autodeclarados pretos, a maior parte dos pesquisados cursa Direito. Já os pardos, destacam-se as Engenharias: Civil, de Produção, Mecânica e Química.

A Companhia dos Estágios também pontua que as empresas têm revisado algumas práticas para tornar seus processos de contração menos excludentes. O mapeamento mostra que as organizações estão contratando mais jovens sem experiência prévia. Em 2018, apenas 6% dos negros começavam a estagiar sem ter qualquer trabalho no currículo. Já em 2020, este número já era de 19% — um aumento de 217% em três anos.

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