Escritora brasiliense procura editora para lançar livro sobre feminismo negro

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Daphne Lorrane é filha de faxineira e porteiro e sonha em lançar o livro “A Feminista Negra”

Nascida e criada em Brasília, Daphne Lorrane, 19 anos, sonha em ser professora e escrever um livro baseado nas suas vivências, história de vida e as violências que já sofreu como mulher negra. Segundo ela, A Feminista Negra é um livro que fala de negritude, de minorias, de favela e de muitos preconceitos sofridos durante a caminhada. “Minha mãe sofria violência doméstica quase sempre e todos esses traumas ficaram marcado em mim”, afirma a escritora. 

Portas fechadas

Depois de procurar por várias editoras, Daphne lamenta que, mesmo morando na capital federal, não conseguiu editora para a publicação do livro. “Moro em Brasília, no bairro samambaia, quero muito uma oportunidade de conhecer uma editora que se interesse pelo meu trabalho. Venho de uma família pobre, sem condições financeiras e todas as editoras que procurei estão me falando não”, lamentou. 

Como Daphne mesmo se intitula, ela é “negra, feminista, macumbeira, mulher, sapatão e ativista” e, por isso, algumas portas se fecham. “Nem sempre as pessoas aceitam você levar o ativismo feminismo, negro, a todos os lugares. O que mais ouvi das editoras foi a palavra ‘não’. As marcas, as empresas, não querem falar de movimento negro, não querem falar de movimento feminista. quanto mais eles puderem evitar falar desses assuntos, vão evitar. As empresas não querem colocar o nome em projetos de minorias. Mas mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, não posso deixar de agradecer minha namorada, Geovanna Sthefany e a Evelyn Rodrigues. Elas foram o ponto forte para eu escrever esse livro. Minha namorada me ajudou muito e só tenho a agradecê-la”, finalizou.

Mercado Editorial

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) e publicada em 2019, analisou 600 títulos, entre os anos de 1965 e 2014 e mostra que 70% deles foram escritos por homens e 90% por pessoas brancas. Ou seja, apenas 10% dos 600 títulos [60 publicações] foram escritos por pessoas negras. 

A pesquisa não avaliou as publicações dos últimos 5 anos, mas pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do projeto Portal LiterAfro, avaliam que os leitores se interessam em ler outras vozes. Porém, a maioria o faz por editoras menores ou pelo sistema de auto-publicação, afirma o coordenador do projeto, professor Eduardo Assis Duarte.

Por dois anos consecutivos, os livros mais vendidos na Festa Literária de Paraty (Flip) são de mulheres negras, com Grada Kilomba, Memórias da Plantação, Editora Cobogó, em 2019, e Djamila Ribeiro com Quem tem medo do feminismo negro?, pela Companhia das Letras, em 2018. 

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

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