Califórnia acaba de se tornar o primeiro estado a proibir a discriminação racial baseada em cabelo natural

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“Onde está a justiça quando homens e mulheres negros têm acesso negado ao avanço econômico por causa de sua aparência natural?”, perguntou a senadora Holly J. Mitchell, em 22 de abril quando apresentou pela primeira vez a Lei CROWN, que proíbe a discriminação contra cabelo natural. Na última quinta-feira, 27 de junho, a assembléia estadual da Califórnia votou 69-0 para aprovar o projeto. Naquela manhã, o governador Gavin Newsom assinou oficialmente o projeto de lei, tornando a Califórnia o primeiro estado a banir a discriminação contra cabelos naturais, incluindo afros, tranças ou dreadlocks.

“Apesar dos grandes avanços da sociedade e das leis americanas para reverter a ideologia racista de que os traços negros são inferiores, o cabelo continua sendo uma fonte de discriminação racial com sérias consequências econômicas e de saúde, especialmente para os negros”, diz o projeto.

“Muitos funcionários negros dirão, se tiverem a chance, que a luta para manter o que a sociedade considerou uma ‘imagem profissional’, enquanto protegem a saúde e a integridade de seus cabelos, continua sendo uma luta definidora e paradoxal em seu trabalho. Essa é uma experiência, geralmente não compartilhada por seus pares não-negros “, disse Mitchell ao apresentar o projeto em abril. “Qualquer lei que me exclua de uma posição, não por causa de minhas capacidades ou experiência, mas por causa do meu cabelo, está muito atrasada para a reforma”, afirmou a senadora.

Senadora americana Holly J. Mitchell

O governador da Califórnia disse que a necessidade da lei ficou ainda mais evidente para a política nacional em dezembro, quando um árbitro forçou um lutador negro de uma escola de Nova Jersey a cortar seus dreadlocks ou desistir de sua partida. Esse absurdo forçou o estudante a escolher entre “perder uma competição atlética ou perder sua identidade”, disse Newsom.

“Isso acontece nos locais de trabalho, é praticado em escolas – não apenas em competições e ambientes esportivos – todos os dias em toda a América, de maneiras sutis, de formas evidentes”, disse Newsom.

O projeto de lei foi inspirado em uma legislação semelhante em outras regiões. A cidade de Nova York baniu oficialmente a discriminação natural de cabelos em fevereiro, afirmando que os penteados são protegidos pelas leis antidiscriminação existentes na cidade e que discriminar o cabelo afro é uma forma de racismo e preconceito generalizado.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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