Autoridades americanas prometem justiça após jovem negro ser assassinado enquanto praticava corrida, na Geórgia

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(9 maio) Mãe de Ahmaud Arbery participa de manifestação em memória do jovem negro assassinado, em Brunwick, Geórgia

Um crime que ocorreu em fevereiro deste ano volta à tona nos Estados Unidos após um novo vídeo do assassinato viralizar na internet. No dia 23 de fevereiro Ahmaud Arbery, de 25 anos, levou um tiro enquanto praticava corrida em uma área residencial de Brunswick, Geórgia, estado sulista com um longo passado de apartheid.

A gravação divulgada esta semana, três meses após o crime, mostra o jovem Arbery correndo em uma rua residencial e se aproximando de uma pic-up branca estacionada na faixa da direita, com um homem branco parado atrás. Quando Arbery tenta contornar o veículo, ele é parado por outro homem branco, que o agarra. Ouvem-se três tiros.

Nesta quinta-feira(21), foram presos William Bryan, de 50 anos, autor do vídeo e os dois homens brancos que aparecem nas imagens: Gregory McMichael, de 64 anos, e seu filho Travis, de 34 anos. Como ambos, William Bryan, que sempre se apresentou como apenas uma testemunha, foi acusado de assassinato e tentativa de prisão ilegal.

O vídeo causou comoção nos Estados Unidos e a mobilização de várias personalidades, como o astro do basquete LeBron James e a atriz Zoë Kravitz. As imagens “são muito perturbadoras”, comentou o presidente americano, Donald Trump.

No mesmo dia do vídeo, a polícia local prendeu os dois homens brancos que aparecem nas imagens: Gregory McMichael, 64, e seu filho Travis, 34. Como ambos, William Bryan, que sempre se apresentou como apenas uma testemunha, foi acusado de assassinato e tentativa de prisão ilegal.

“Temos graves suspeitas” da participação de Bryan nos fatos, assinalou Vic Reynolds, negando ter cedido a pressões. A família de Arbery, que reclamava há dias a prisão de Bryan, disse se sentir aliviada.

Segundo familiares, o rapaz foi vítima de um crime racial, abafado pela polícia e pelo sistema judicial. “Nós iremos garantir que se faça justiça”, prometeu a promotora negra Joyette Holmes, que assumiu o caso, após a retirada de outros três promotores. “Sabemos que há uma família e uma comunidade destruídas.”

As conclusões da polícia devem ser enviadas a Joyette em breve. “Não prevejo muito mais novidades até encerrarmos o caso”, antecipou o chefe do Escritório de Investigações da Geórgia, Vic Reynolds.

Policial diz ter ‘confundido’ jovem com ladrão

Segundo os relatórios iniciais da polícia, Gregory McMichael disse que confundiu o jovem com um ladrão e que pretendia contê-lo com a ajuda do filho, mas que as coisas não terminaram bem.

Policial aposentado, McMichael trabalhou durante longo tempo como investigador no escritório do promotor local, motivo pelo qual os dois primeiros promotores que deveriam assumir o caso se recusaram, embora o segundo tenha levado semanas para fazê-lo.

Desde a divulgação do vídeo, manifestantes e internautas, sob a hashtag #IrunwithMaud (apelido do jovem) exigem a reação da Justiça. O chefe de polícia da Geórgia disse esperar que seu trabalho “dê um ar de credibilidade ao sistema penal”, principalmente na Geórgia.

No último sábado(15), o ex-presidente americano Barack Obama denunciou “o fardo histórico” que, segundo ele, segue pesando sobre os negros americanos.


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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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