Homem que agrediu músico negro em Curitiba é preso: “eu estava bêbado”

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Paulo Cezar Bezerra da Silva, homem que agrediu um músico negro no Centro de Curitiba (PR), foi preso na última quarta-feira (30), pela Polícia Civil. O agressor, que já responde por outros crimes, possui um histórico de violência doméstica e tentativa de homicídio. Além disso, Paulo Cezar foi identificado por cometer a mesma espécie de violência contra outra pessoa negra que vive em situação de rua, na última segunda-feira (28).

Foto: Reprodução/Redes sociais

O caso aconteceu na última semana, mas veio a público na terça-feira (29), quando o músico, Odivaldo Carlos da Silva, conhecido como Neno, publicou o vídeo da agressão. Ele conta que só foram tomadas providências porque defendeu os seus direitos e contratou uma advogada.

Segundo o músico, “um crime tão grave como esse, considerado pela legislação como um crime imprescritível, inafiançável, e tem essa natureza hedionda por sua violência atroz, não pode levar a uma posição tão leniente assim”.

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Ele conta que no momento da denúncia, os agentes da Polícia Militar omitiram a qualificação do crime no Boletim de Ocorrência. Alegaram se tratar apenas de um ato de lesão corporal.

O agressor Bezerra da Silva, que teve prisão preventiva decretada pelo juiz Thiago Flôres Carvalho, da Segunda Vara do Tribunal de Júri de Curitiba, responderá pelos crimes de racismo e tentativa de homicídio.

O Caso

O atentado contra o músico Odivaldo Carlos da Silva, 55, aconteceu no dia 22 de novembro, em uma terça-feira. Após uma semana, os documentos que comprovam a agressão passaram a circular nas redes sociais.

O crime foi filmado por câmeras de segurança do local e mostra o momento em que o agressor, acompanhado de um cão de porte médio, aborda o músico e dá início ao atentado. Ele dá ordem de ataque ao cão e usa um cassetete para acertar a nuca, o rosto e as pernas de Neno.

Testemunhas que presenciaram a violência confirmam as acusações de xingamentos racistas por parte de Paulo Cesar. De acordo com os relatos, também declarados pela vítima, o agressor dizia: “Esse tipo de gente tem que morrer”, “Preto tem que morrer”, “Morador de rua tem que morrer”.

A advogada de defesa de Paulo BEzerra, Daniely Mulinary, afirma que “não houve, em nenhum momento, essa questão de racismo, de injuria racial, nada relacionando a isso”. A defesa ainda diz que o ato não deve ser qualificado como um homicídio.

“(…) se ele quisesse cometer um homicídio, ele teve a oportunidade para tanto, porém não era a intenção, ele mesmo relata diversas vezes isso”, defende.

Antes de ter a prisão decretada, Paulo Cesar prestou depoimento à Polícia Civil e utilizou a justificativa de seu estado psíquico no momento do ato. Segundo ele, agiu daquela forma porque estava bêbado, e prestava serviços aos comerciantes do local, a fim de afastar as pessoas em situação de rua que ficam na região.

Neno também relata ter sido chamado de “negro sujo” e “macaco”, e que está impossibilitado de trabalhar desde o atentado. Além de ter fraturado o maxilar e ter alguns dentes quebrados, o músico, com marcas de agressão em diversas partes do corpo, passará por uma cirurgia por causa do espancamento.

O delegado Danilo Zarlenga, que está trabalhando no caso, afirma que “isso demonstra que ele estava incitando uma discriminação, um preconceito em relação a raça, etnia, cor em relação àquela vitima específica.”

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