Advogado chama de ‘temperamental’ menina britânica que processou escola por racismo

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Quase um ano após a estudante Ruby Williams processar Urswick School, no leste de Londres, por passar anos sendo proibida de usar seu cabelo natural na escola, o caso volta à tona após críticas de um advogado nas redes sociais. No processo, Ruby Williams ganhou indenização de 8,5 mil libras esterlinas (cerca de R$ 63 mil) por racismo.

O advogado Jon Holbrook, via Twitter, criticou não só o caso de Ruby, mas o Ato de Igualdade, proclamado no Reino Unido em 2010. No

A Urswick School publicou recentemente um vídeo nas redes sociais, relembrando o caso. Em resposta ao vídeo, o advogado Holbrook tuitou que “o Ato de Igualdade minou a disciplina da escola ao empoderar a adolescente negra temperamental“. A mãe de Ruby, que aparece no vídeo, disse que a filha foi incrivelmente corajosa ao desafiar o racismo institucional e criticou o advogado: “Ele não sabe nada sobre o sofrimento dela. Demorou três anos e meio até eles mudarem as políticas“, disse a mãe.

Ruby Williams com seus pais Lenny e Kate

Kate Williams disse ao The Guardian que ficou “chocada, mas não surpresa”. Em entrevista ao mesmo jornal o advogado disse: Ao jornal, o advogado disse: “Meu tuíte trouxe atenção para uma questão política grave, o quanto crianças de cor têm sido capazes de minar as políticas de uniforme escolar obrigando-as a se adaptarem às diferenças culturais“.

A tentativa de me cancelar que tem sido liderada pela esquerda no Twitter mostra o quão difícil é ter um debate razoável em questões relativas a raça. É hora do país questionar também o impacto prejudicial do Ato de Igualdade“, concluiu o advogado.

Há pessoas com essa visão em todas as profissões e isso assusta. Esse cara está atacando uma pessoa jovem e vulnerável, sem saber nada sobre as circunstâncias dela, e isso é muito perigoso“, disse a mãe de Ruby.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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