Acervo Nosso Sagrado passa a integrar o Museu da República

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O Acervo Nosso Sagrado, composto por 519 objetos sagrados de religiões de matriz africana que foram apreendidas entre os anos de 1889 e 1945, a partir deste sábado (19), passa a ser parte integrante do Museu da República, no Rio de Janeiro. 

Artefatos sendo devolvidos aos donos de direito – Foto: Elisângela Leite/Quiprocó Filmes

O acervo permaneceu apreendido por quase um século no Museu da Polícia do Estado do Rio de Janeiro e a assinatura da cessão definitiva será realizada às 10h30, no Ilê Omolu Oxum, uma das Casas de Axé mais tradicionais do Brasil e sede do Museu Memorial Iyá Davina – primeiro museu etnográfico do Rio de Janeiro dedicado às Comunidades Tradicionais de Terreiro. 

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Para a principal liderança do Movimento, Mãe Meninazinha de Oxum, a recuperação do acervo já faz parte da história do Brasil e merece ser comemorada. A matriarca destaca ainda a importância do trabalho conjunto entre a Instituição e as comunidades de terreiro. “Estou muito feliz e orgulhosa com a vitória do povo de axé, depois de tanta luta para termos o Nosso Sagrado tratado com o respeito que merece. A gestão compartilhada desta coleção, entre o Museu da República e grupo de trabalho formado por lideranças religiosas de matriz africana, é um grande passo no combate à intolerância religiosa, que sofremos historicamente’‘, enfatiza a dirigente do Ilê Omolu Oxum.

Para o Babalorixá do Ilê Axé Omiojuaro, Adailton Moreira Costa, o acervo vai além de peças ou objetos relacionados às religiões de Matriz Africana, simbolizam a história e memória dos ancestrais, espoliados de forma violenta e cruel de nossos espaços de culto e de seus adeptos. “O retorno destas peças sagradas do Museu da Polícia Civil para o Museu da República cumpre um papel de reparação histórica às populações negras e suas contribuições à sociedade brasileira tão negligenciada pelo Estado Brasileiro. Ver que hoje este acervo sagrado está em um espaço digno e nobre, nos traz alegrias e dignidade que representam a tão desejada democracia brasileira e sua constituição pela liberdade religiosa”, celebra

Yá Meninazinha de Oxum e Babá Adailton de Ogum – Foto: Elisângela leite/Quiprocó Filmes

O diretor do Instituto Ibirapitanga, responsável pela viabilização de recursos que visam garantir as condições apropriadas para o tratamento técnico, Andre Degenszajn, enfatiza que apoiar iniciativas e organizações que atuam no combate ao racismo e na promoção da equidade racial são uma das maneiras mais assertivas de caminhar rumo a uma sociedade mais justa. ”O apoio ao Acervo Nosso Sagrado vai ao encontro dessa estratégia, no sentido de fazer uma contundente e necessária afirmação de que a religiosidade de matriz africana é elemento fundamental da cultura brasileira e das vivências coletivas da população negra. Apoiar o estímulo à preservação de uma memória legítima das religiões de matriz africana é uma forma de contribuir para que a democracia se concretizasse em sua plenitude”, conclui.

Segundo a organização, a cerimônia, restrita, cumpre todos os protocolos de higiene seguindo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à COVID-19 e não estará aberta ao público. A ocasião marca a doação definitiva do acervo para o Museu da República. 

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