70% dos moradores em situação de rua de SP são negros, aponta Censo

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O Censo da População de Rua de São Paulo, realizado pelo Instituto Qualitest, a pedido da Prefeitura Municipal, foi divulgado na noite do último domingo (23) pelo programa Fantástico, da rede Globo e revelou o perfil dos moradores em situação de rua da maior cidade do país. Ao todo, são quase 32 mil pessoas vivendo nas ruas da capital paulista.

O número de moradias improvisadas cresceu 330% nos últimos dois anos – Foto: Pexels

Segundo o levantamento, o perfil majoritário é de pessoas pretas ou pardas, 70,8%, e homens com idade de 41,7 anos. Ainda de acordo com o Censo, entre 2019 e 2021, o número de pessoas vivendo nas ruas de SP cresceu 31%, quando totalizava 24,3 mil pessoas.

Outro dado revelado pela pesquisa é que os moradores em situação de rua, majoritariamente, são pessoas vindas de outros estados do país (40,94%). Pessoas migrantes de outros municípios do próprio Estado de São Paulo são 39,2%, oriundos de Bahia (8,47), Minas Gerais (5,44) e Pernambuco (5,28%) são a maioria dos moradores de outros estados.

A região da Subprefeitura Mooca é a que registra a maior concentração de pessoas em situação de rua da cidade. De acordo com o levantamento, em 2019 eram 1.419 pessoas, passando para 2.254 em 2021, um aumento de 170% em dois anos. “Os motivos de a população de rua se concentrar em sua maioria nos bairros ao redor da área central permanecem inalterados, ou seja, estão relacionados a fatores como mobilidade, trabalho e facilidade de alimentação”, afirmou um comunicado da prefeitura.

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Periferia

Apesar da maior concentração de pessoas em situação de rua ser na região central, as periferias também registraram aumento nos últimos anos. Segundo a pesquisa, Perus, Vila Maria-Vila Guilherme e Santana-Tucuruvi (Zona Norte); Penha, Itaquera, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Sapopemba, Guaianases e Itaim Paulista (Zona Leste); e Ipiranga, Vila Mariana, Jabaquara e M’Boi Mirim (Zona Sul) foram as mais atingidas. “Em todos esses 14 distritos, o crescimento numérico de pessoas vivendo nas ruas foi superior a 100%”, afirma o documento da gestão municipal.

Além disso, a pesquisa mostrou também que as chamadas “moradias improvisadas” (barracas) aumentou 330% entre 2019 e 2021. Na pesquisa realizada em 2019, havia 2.051 pontos nas ruas de São Paulo, já no censo mais recente, este número saltou para 6.778.

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