Xica Manicongo, primeira travesti do Brasil, pode dar nome a rua em SP

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Trazida em meados de 1591 como escravizada para Salvador, a angolana que foi a primeira travesti do Brasil, mas teve seu nome apagado da história pode agora dar nome a uma rua. Nesta terça (07). a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que regulamenta a nomeação de uma rua na Zona Sul em homenagem à Xica Manicongo.

O projeto é de autoria vereadora Erika Hilton (PSOL), a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira no legislativo municipal. Caso ele seja aprovado, a via será a primeira rua da capital paulista com o nome de uma travesti. O PL agora irá para a sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Segundo alguns relatos históricos, dos poucos que se tem, Xica trabalhou como sapateira, se tornou uma figura imponente por toda Cidade Baixa, e era conhecida por ser muito namoradeira.

Historiadores afirmam que Xica possuía uma grande resistência em se vestir com roupas masculinas, pois isso ia contra as tradições de sua origem, onde ela assumia sua identidade feminina e vivia enquanto cudina (divindade do Congo que pode ser equivalente a uma identidade de gênero decolonial).

Tentando fugir da pena de morte, Manicongo foi obrigada a negar sua identidade e viver sob a constante vigilância da Igreja. Até os fins do século XX, Xica era ainda considerada homossexual (erroneamente) por estudiosos, o que apagou por décadas a possibilidade de existência de travestis no Brasil Colônia. 

Segundo a vereadora, “Xica Manicongo representa a luta das travestis brasileiras pelo seu direito à memória e reconhecimento e por isso é importante homenagear sua luta e existência”.

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Xica Manicongo
A luta e resistência de Xica Manicongo seguem inspirando as novas gerações (Arte: Fabiane Sá)

Justificativa do projeto 566/2021

Xica Manicongo foi a primeira travesti não indígena do Brasil. Trazida sequestrada da região do Congo, pertencente à categoria das quimbandas de seu povo, sua expressão de gênero era lida pelo colonizador como feminina.

No Brasil, foi submetida à condição de escravizada na Bahia, tendo seu trabalho explorado por um sapateiro. No entanto, Xica recusava-se a utilizar o nome masculino que lhe foi imposto, ao mesmo tempo em que seguia vestida em seus trajes femininos, tal qual em África.

Por anos, a historiografia retratou Xica enquanto Francisco, assassinando seu direito à memória. Somente com o movimento de travestis e pessoas trans na academia que foi possível trazer a verdade sobre a história de Xica Manicongo, atribuindo-lhe o título de primeira travesti brasileira não indígena.

Xica Manicongo representa a luta das travestis brasileiras pelo seu direito à memória e reconhecimento e por isso é importante homenagear sua luta e existência.

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