Vítimas da Chacina do Jacarezinho são identificados como Homem Negro II e III em boletim médico

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Cinco homens mortos no Jacarezinho que foram encaminhados a emergência do Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, na quinta-feira (06), foram identificados no Boletim Médico como “Homem Negro”, “Homem Negro II”, “Homem Negro III”, “Homem Pardo I” e “Homem Pardo II”. Ainda de acordo com o boletim médico, todas as vítimas já chegaram sem vida ao hospital.

27 pessoas foram mortas pela polícia na última quinta-feira (6) – Foto: Reprodução internet

No Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, para onde foi levada a maioria das vítimas, todas também já chegaram mortas. Ao todo, na chacina do Jacarezinho foram mortos 27 moradores da comunidade. Quatro dos seis presos na data, relataram durante a audiência de custódia que foram eles quem carregaram os corpos para o “caveirão”, nome dado ao blindado usado pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).

Os boletins médicos, obtidos pelo G1 e divulgados nesta quinta-feira (13), descrevem que as vítimas estavam com  as “faces dilaceradas”, “dilacerações”, “ferimentos em membros inferiores compatíveis com disparos de arma de fogo” e “desvios ósseos em membros superiores”, além de uma série de outras lesões apontadas nos relatórios.

No boletim atribuído pelos médicos ao  “Homem Negro”,  é informado o horário do atendimento (às 9h19) com a seguinte descrição: “Trazido pela polícia já cadáver, com ferimento por arma de fogo em face. Apresenta face totalmente dilacerada”. Na descrição do “Homem Negro II”, que segundo o documento foi atendido às 13h11 é exposto: “Trazido por policiais, já cadáver, com ferimentos em abdômen e MMII (membros inferiores) compatível com PAF (projétil de arma de fogo).”

Há ainda registros nos boletins médicos  que indicam tiros efetuados contra o rosto das vítimas e na parte posterior do tórax, ou seja, nas costas. Os documentos médicos citados foram encaminhados  à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) pela direção do complexo hospitalar. 

As cinco vítimas descritas nos boletins médicos, assim como outras 23 pessoas mortas na chacina, não foram identificadas pela PCERJ no dia da ação. Na sexta-feira (07), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma lista com os nomes das 15 primeiras vítimas identificadas até aquele momento.

Em nota, a Polícia Civil informou que “o fato de criminosos chegarem mortos à unidade hospitalar não quer dizer que não foram resgatados com vida” e que “as mortes podem ter acontecido no caminho ou na entrada ao hospital”. A corporação alegou que “sobre as circunstâncias de eventuais socorros e da retirada de corpos do cenário, os fatos serão esclarecidos durante a investigação policial que está em andamento e sendo acompanhada pelo Ministério Público”.

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