Um em cada três negros já sofreu racismo no transporte público, afirma pesquisa 

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De acordo com uma pesquisa do Instituto Locomotiva, uma em cada três pessoas negras já sofreu racismo no transporte público. Em números, segundo o estudo, isso significa que 72% das pessoas disseram já ter presenciado situação de racismo e 39% foram vítimas do crime. O estudo ouviu 1,2 mil pessoas e mais de mil profissionais do setor. “Entre profissionais negros do transporte que enfrentaram situações de preconceito, embora as agressões verbais (47%) e o menosprezo (46%) tenham sido mais frequentes, eles foram três vezes mais alvo de expressões racistas e sofreram três vezes mais ameaça do que a população negra vítima de preconceito racial em geral”, afirma o levantamento.

Foto: Pexels

O estudo mostra ainda que 71% das pessoas negras que trabalham no trânsito sentem medo de sofrer racismo ou preconceito por sua cor. Entre a população negra em geral, esse número cai para 41%, o que mostra que quem está na rua por mais tempo sente mais medo de sofrer esse tipo de discriminação. Os números também revelam que motoristas de ônibus e cobradores são os profissionais que mais observam casos de racismo no seu trabalho (75%), seguidos de motoristas de aplicativo (73%) e taxistas (65%). 

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A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira (21), no Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. O estudo foi encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) com o apoio da Uber, em parceria com o Instituto Identidade Brasil (ID_BR). A pesquisa com a população em geral foi realizada de forma quantitativa online com 1,2 mil pessoas, com idade a partir de 18 anos, em todo o Brasil. A coleta de dados foi feita em janeiro deste ano e a margem de erro é de 2.8 pontos percentuais. 

Vale lembrar que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial há 46 anos e o 21 de março foi por causa do massacre ocorrido em 1960, em Sharpeville, na África do Sul. Na ocasião, 69 pessoas morreram quando policiais reprimiram, a tiros de metralhadora, manifestantes que protestavam contra uma das práticas do regime oficial de segregação racial que vigorava no país. 

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Wellington Andrade

Jornalista formado pela FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) e pedagogo pela UERJ. Atualmente escreve para o Portal Notícia Preta e atua no segmento de assessoria de imprensa em parceria com a agência Angel Comunicação. Possui passagens por diferentes veículos como repórter, produtor e apurador, dentre eles TVs Record, SBT e Rede Vida de Televisão, além das rádios Bicuda FM, Nativa FM, Tupi AM e FM, Revista Ziriguidum Nota 10 e no portal especializado em Carnaval SRZD, do jornalista Sidney Rezende. Instagram: @reporterwellingtonandrade

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