“Não haverá democracia, a lei é a sharia e é isso”, afirma comandante do Talibã após usar força armada contra manifestantes

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Um dos nomes mais fortes do Talibã no Afeganistão, Waheedullah Hashimi, declarou, nesta quinta-feira (19) que a legislação no país seguirá às que existiam da outra vez que o grupo extremista esteve no poder. O líder afirmou ainda que “não há possibilidade de o país adotar a democracia como sistema para escolher os líderes. O Afeganistão provavelmente será governado por um conselho que vai observar a sharia, a lei islâmica”, afirmou.

Waheedullah Hashimi, ao centro, durante entrevista – Foto: Reuters

A declaração veio um dia depois de manifestantes com a bandeira do Afeganistão foram alvejados pelo exército Talibã em Jalalabad, na última quarta-feira (18) por substituírem a bandeira do Emirado Islâmico pela Afegã. Três pessoas morreram e dez ficaram feridas na manifestação, mas não é a primeira vez que ocorre ataques à manifestantes, o que vai contra ao discurso de estado “Islâmico e inclusivo”, apresentado por dirigentes do Talibã.

Os recentes acontecimentos de ataques a protestantes contra o Governo Islâmico vão na contramão das falas dos líderes do Talibã que, em entrevista e encontros com governantes internacionais, demonstraram que seriam abertos e flexíveis, principalmente com as mulheres.

Com a saída do exército dos Estados Unidos do território afegão, as tropas do grupo islâmico retornaram o poder após 20 anos. Personalidades públicas e instituições internacionais demonstram preocupação com a atual situação do país, pois, na lei islâmica (sharia) pregada pelo Talibã, mulheres não podem estudar, ter acesso a direitos básicos ou sair de casa, além de agir com violência a quem não concorda com as decisões e com a Sharia.

Malala Yousafzai, paquistanesa que foi baleada na cabeça pelo Talibã por frequentar a escola, disse no Twitter, estar preocupada com as mulheres afegãs. “Estamos assistindo, completamente em choque, o Talibã tomando o controle do Afeganistão. Eu estou profundamente preocupada com as mulheres, minorias e com os direitos humanos. Potências globais, regionais e locais, devem exigir um cessar-fogo imediatamente, dar ajuda humanitária e proteger os refugiados e civis”, concluiu.

Segundo a Organização das Nações Unidas, as nações devem se unir para preservar os direitos humanos e evitar a prevalência do terrorismo no Afeganistão. “Estou particularmente preocupado com relatos de crescentes violações dos direitos humanos contra mulheres e meninas no Afeganistão que temem um regresso aos dias mais sombrios. A crise humanitária no Afeganistão afeta 18 milhões de pessoas, quase metade da população”, finalizou António Guterres, secretário-geral da ONU .

Já o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tomou a responsabilidade pela volta do Talibã ao poder: “Sou o presidente dos Estados Unidos, e a responsabilidade é minha. Sustento firmemente minha decisão. Depois de 20 anos, aprendi a duras penas que nunca houve um bom momento para retirar as forças americanas. A verdade é que isto ocorreu mais rápido do que prevíamos”, disse o Presidente americano em discurso.

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O aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, ainda está sob comando do exército americano para evacuação dos cidadãos americanos que moram lá. Os Estados Unidos informaram que caso não consiga retirar todas as pessoas necessárias do país, vai abrir fogo devastador contra o Talibã.

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