Sede da Nasa nos EUA ganha nome da primeira engenheira negra da agência espacial americana

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Edifício Mary W. Jackson é o novo nome da sede da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, em homenagem à primeira engenheira e cientista negra da instituição.

“Ela foi uma cientista, uma humanitária, uma esposa e mãe que pavimentou o caminho para milhares de outros seguirem, não só na Nasa, mas por essa nação”, disse a filha de Mary Jackson, Carolyn Lewis.

Quem foi Mary Jackson

Mary Jackson nasceu em Hampton, uma cidade no Estado da Virgínia, a 300 km de Washington, DC. Hampton é uma cidade de maioria negra (51% da população), e abriga uma instituição de ensino superior voltada à inclusão racial. É a Hampton University, fundada em 1868 por ativistas negros e brancos, logo após a Guerra Civil Americana, com a ideia de prover educação de primeira linha a quem tinha nascido como escravo. Uma das alunas ali foi Alberta Williams King, mãe de Martin Luther King, que estudou magistério lá no início do século 20.

Mary Jackson formou-se em 1942 e no mesmo ano começou a dar aulas numa escola exclusiva para negros. Um ano depois, voltou para Hampton.

Em 1951, aos 30 anos, Jackson conseguiu um vaga na Nasa. Mais especicamente, no Langley Research Center, em Hampton.

Nesta época, os cálculos de engenharia aeronáutica eram feitos a mão, não por máquinas e Jackson assumiu a função de “computadora”, uma atividade exercita por aproximadamente 400 mulheres na agência espacial, mas em uma área segregada, a West Area Computing Section.

Dois anos mais tarde a engenheira foi convidada para trabalhar com os engenheiros do túnel de vento de Langley – onde testavam fuselagens fuselagens de futuros aviões e foguetes sob ventos de até duas vezes a velocidade do som.

Jackson fez vários cursos complementares dentro da agência, no período da noite, para poder se tornar uma engenheira efetiva da Nasa. Para que pudesse estudar nas turmas de seus colegas brancos ela precisou de uma autorização especial.

Em 1958 Mary Jackson se tornou a primeira mulher negra com um cargo de engenheira na Nasa. Por duas décadas ela desenvolveu estudos sobre aerodinâmica de foguetes.

Em 1979, perto de completar 60 anos, Mary Jackson deixou a engenharia e passou a trabalhar para o Federal Women’s Program, uma iniciativa governamental que promove a inclusão de mulheres no mercado de trabalho, e que mantém até hoje um escritório na Nasa até hoje. Lá, Jackson passou a trabalhar para promover a ascensão profissional de outras mulheres negras.

Mary Jackson morreu em 2005, aos 84 anos. Em 2017, parte de sua história foi contada no filme Estrelas Além do Tempo, que fala sobre ela e suas colegas da West Area Computing Section.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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