São Paulo Fashion Week implementa tratado de equidade racial proposto por coletivo preto

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Desfile da marca Apartamento 03 no SPFW N47 – Foto: Agência Fotosite

A São Paulo Fashion Week (SPFW), principal semana de moda do país, vai ter no mínimo 50% dos seus grupos de modelos compostos por negros, indígenas ou asiáticos em todos os desfiles da próxima temporada, que acontece entre 4 e 8 de novembro. Essa é uma das medidas do “Tratado moral” firmado com o Pretos na Moda, coletivo que reúne modelos e criativos negros da área. A marca que descumprir a nova regra, poderá ter a participação suspensa do evento.

Camila Simões, co-fundadora do Pretos na Moda, explica que a conquista veio de uma intensa articulação, “Foi um processo de 5 meses, de muitas conversas, ideias e sede de mudanças. Cada momento foi necessário para a construção dessa parceria. A abertura teve que existir de ambas as partes, colocando em mesa nossas sensibilidades e percepções sociais da maneira mais ampla possível”, explica ela.

O “Tratado moral” que o coletivo e a SPFW firmaram tem a missão de “viabilizar a inclusão de profissionais racializados na indústria da moda brasileira”. Ao todo, cinco diretrizes foram estabelecidas, que discorrem sobre contratação, horário de trabalho, pagamento, diversidade e compromisso multirracial.

O Parágrafo 1 do documento foi o que mais chamou atenção, que determina “garantir a participação de modelos racializados, tendo como base a quantidade de 50% do casting total; esclarecendo que, a não adesão das exigências, poderá acarretar na suspensão da participação da marca no evento”.

O acordo foi anunciado às marcas participantes através de um comunicado. Antes da obrigatoriedade, havia apenas uma recomendação de diversidade na escolha dos modelos.

Ainda de acordo com o coletivo, o tratado será renovado e ajustado a cada temporada tendo em vista a renovação do mercado. “Estamos extremamente felizes. Tivemos muitos feedbacks positivos quanto ao nosso trabalho e, com isso, vemos que estamos no caminho certo. Existem muitas melhorias a serem feitas, que vão nos exigir tempo, energia, posicionamento, conhecimento e muita articulação, mas estamos empolgados!”, conclui a co-fundadora do Pretos na Moda.

O coletivo

O coletivo Pretos na Moda surgiu em junho de 2020 no Instagram (@pretosnamodabr), durante os protestos antirracistas virtuais que aconteciam em várias partes do mundo, expondo episódios de racismo sofridos em desfiles, campanhas e outros trabalhos da área. Atualmente, o coletivo une modelos e criativos pretos e articula políticas antirracistas para a equidade, proporcionalidade, e liberdade de criação na moda.

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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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