Preto é pra brilhar

Você se sente invisível? Você já se sentiu invisível? Se, por um lado, é um dos superpoderes mais invocados nas brincadeiras infantis e um dos mais populares truques de mágica, quando a escolha não parte do indivíduo, torna-se mais complexa a questão: por que não estamos sendo vistos (as) – inclusive por nós mesmos?

A desumanização dos homens e mulheres negros é um dado do racismo – no  Brasil, especificamente, ele se traduz na animalização de seus corpos e na sobrenaturalização de suas realizações. Se não é ser humano, não merece lugar à mesa, seja ela para refeições, negócios ou lazer.

Wilson Simonal

O primeiro passo da construção da identidade preta é aprender a gostar de si. E isto, apesar de soar simples e ingênuo, é uma barreira gigante que crianças, jovens e inclusive adultos têm superar (quando o conseguimos) com muita dificuldade: o orgulho é o pecado que não nos é oferecido de “fábrica”.

Diante disto, com as descobertas e as construções de percepção sobre nossos lugares no mundo, a partir de aprendizados, vivências e  construções coletivas, parece-me fundamental que os grupos criados  para unir pessoas de diferentes vertentes possam se mostrar mais abertos ao acolhimento.

Para ser mais direto: fortalecer nossas posições e nossas lutas, tendo como prioridade o enriquecimento da nossa identificação com nossas origens e nossas relações, passa por entender e promover o encontro de indivíduos em estágios desnivelados na sua relação consigo, com o  espelho e com o que está além dessas janelas.

Não se trata, absolutamente, de estabelecer tutores ou experiências mais evoluídas que outras. Pelo contrário, o desejo é ver que nós possamos genuinamente nos enxergar. Como já escrito em outro texto neste site, ubuntu não pode ser da boca para fora.

O poder da opressão é devastador. Quando coadunamos com comportamentos que nos afastam ao invés de nos unir a panela não está em nossas mãos, nós é quem estamos nos queimando. Aquilombemo-nos para tirar do show  qualquer véu da invisibilidade que venham a nos impor: preto é pra brilhar!

Cipriano Jr

Cursou Comunicação Social (Jornalismo) na UFRJ e atuou como repórter na EBC, no diário Lance! e na MBPress - aqui, produzindo conteúdo para a editoria de esportes dos portais UOL e IG. Atualmente, trabalha como analista na equipe digital da FSB Comunicação. Publica quinzenalmente textos de opinião e ficção em seu espaço no Medium. Twitter: @cizenando_ Medium : @cizenando

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