Presidente de Uganda é eleito para 6º mandato e oposição alega fraude

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Fonte: Reuters

No poder desde 1986, Yoweri Museveni foi reeleito presidentes de Uganda. Para o seu principal opositor, deputado Bobi Wine, a eleição foi fraudada. Na semana passada, dois dias antes das eleições que aconteceram na quinta-feira (14), mas só teve o resultado divulgado no final de semana, o governo ordenou o desligamento da internet e proibiu o uso de mídias sociais e aplicativos de mensagens.

Bobi Wine, um candidato popular famoso por também ser cantor, pediu que os cidadãos não aceitem o resultado das urnas. Museveni, de 76 anos, que é um dos líderes mais antigos do continente africano, rebateu as acusações de fraude e disse que esta eleição pode ter sido o pleito “mais livre de trapaças” na história do país.

A comissão eleitoral disse que a contagem final mostrou vitória de Museveni com 5,85 milhões de votos (58,6%), enquanto Wine teve 3,48 milhões de votos (34,8%).

Apoiadores do Movimento de Resistência Nacional (NRM) comemoram a vitória do presidente de Uganda Yoweri Museveni, em Kampala, na Uganda, em 16 de janeiro de 2021. Yoweri Museveni ganhou um sexto mandato com quase 60% dos votos. A eleição foi marcada por fraude e violência, segundo o principal rival Bobi Wine. O resultado foi anunciado pela comissão eleitoral em 16 de janeiro de 2021. — Foto: SUMY SADURNI / AFP

A campanha foi marcada por uma repressão das forças de segurança sobre Wine, outros candidatos da oposição e seus apoiadores. No período antes da votação, grupos da sociedade civil e governos estrangeiros questionaram a credibilidade e a transparência do pleito, depois que dezenas de pedidos de credenciamento para monitoramento das eleições foram negados.

Os Estados Unidos e um grupo africano de monitoramento de eleições reclamaram de irregularidades eleitorais. Wine, um cantor de 38 anos que se tornou deputado e que atraiu atenção de jovens ugandenses em seu apelo por uma mudança no comando do país, chamou os resultados de “fraude completa”.

O porta-voz adjunto do Exército, Deo Akiiki, disse à Reuters que os oficiais de segurança da casa de Wine estavam avaliando ameaças que ele poderia enfrentar: “Então, eles devem estar prevenindo-o no interesse de sua própria segurança”.

Museveni argumentou na campanha que sua longa experiência faz dele um bom líder e prometeu continuar oferecendo estabilidade e progresso.

Usando seu chapéu característico e falando de sua casa rural na noite deste sábado, Museveni criticou “a elite” por problemas com os sistemas nacionais de educação e saúde e observou que Uganda tem suprimentos excedentes de açúcar, leite e milho.

Repetindo um refrão conhecido, ele disse que não está no governo para desfrutar de uma boa vida que ele tem como agricultor, mas sim para enfrentar desafios históricos.

Depois que os resultados foram anunciados, muitos bairros da normalmente movimentada capital Kampala ficaram excepcionalmente silenciosos. Soldados e policiais que faziam a patrulha permaneceram nas ruas em grande número, disseram testemunhas.

“Esses homens armados estão por todos os lados e prontos para matar”, disse Innocent Mutambi, de 26 anos, soldador. “Tenho certeza que o que eles anunciaram é falso, mas agora não podemos enfrentá-los, eles vão nos matar.”

Apoiadores do presidente dirigiram de motocicleta do centro de contagem de votos até o centro da cidade, onde pessoas mostravam cartazes com o rosto do presidente.

Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, disse ter uma prova em vídeo de fraude eleitoral que compartilhará assim que as conexões de internet forem restauradas.

Ele disse à Reuters neste sábado que sua campanha tem evidências de que os militares forçaram as pessoas sob a mira de armas a votarem em Museveni e realizaram outras atividades eleitorais fraudulentas.

A comissão eleitoral disse na sexta-feira que, segundo a lei de Uganda, o ônus da prova cabe a Wine.

A Reuters não conseguiu verificar de maneira independente as alegações de Wine.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e com especialização em audiovisual pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, assessora de imprensa e idealizadora do portal Notícia Preta, um site de jornalismo colaborativo. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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