“Por que o senhor me sufocou?”

Pedro Gonzaga de apenas 19 anos morreu sem saber o porquê do segurança Davi Ricardo Moreira o sufocou com um golpe “mata-leão”, dentro de uma das unidades do supermercado Extra no estado do Rio de Janeiro (RJ). Em verdade, todos de sua família, coletivos negros e algumas figuras públicas se perguntam ainda sobre o ocorrido. Os comentários e notícias sobre o assassinato de Pedro Gonzaga são poucos e não ganharam destaque na mídia. E isso não é uma novidade. Não é a primeira vez que o assassinato de um jovem negro não ganha notoriedade.

Somos a carne mais barata do mercado. Somos invisíveis para a sociedade. As pessoas não se incomodam com o fato de que todos os dias um jovem negro é assassinado. O genocídio da juventude negro segue firme, forte e voraz na sociedade brasileira.

Mais um assassinato sem sentido. Ser preso por engano; baleado por ser confundido com outro criminoso por ter o mesmo fenótipo; sufocado/asfixiado; arrastados pelas ruas estando presos a viaturas. Os crimes contra o povo negro são brutais. Nosso estilo é ridicularizado por uma sociedade onde cabelos longos, lisos, peles claras, nariz fino e pequeno são o padrão de beleza. Os nossos corpos são sexualizados pela música, pelas novelas e filmes; os chamam de corpos que possuem a “cor do pecado”. Nossa cultura é utilizada como fantasias de carnaval e de festas da alta sociedade.

A pergunta que ecoa em nossas cabeças é: até quando seremos tratados assim? Até quando iremos andar pelas ruas com medo de sermos parados por policiais e confundidos com bandidos por sermos “parecidos” este ou aquele procurado? Até quando irão subalternizar nossa existência? Somos a maioria da população, mas somos tratados como minoria. Estigmatizados e estereotipados por gerações.

Ontem o Pedro foi assinado, quem será o próximo? Sabemos que são tempos difíceis, mas enxergar a população negra sempre com o mesmo estereótipo é um absurdo. Queremos justiça para Pedro e para todos aqueles que foram injustiçados por conta do racismo enraizado na sociedade do “homem cordial”.

Maysa Lima

Sul mato-grossense, graduada em Ciências Sociais. Em busca de um mestrado que modifique ainda mais o meu modo de pensar e agir. Estudante do cenário religioso e político – principalmente ao que tange as Redes Sociais. Sonhadora e amante do universo.

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