População negra é mais propensa a ter intolerância à lactose, aponta estudo

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Fonte: Agência Einstein

Populações negras e quilombolas das Américas são mais propensas a ter intolerância à lactose. É o que revela um estudo da da Universidade Federal do Paraná. Segundo os pesquisadores do Departamento de Genética, que realizaram a pesquisa, isso ocorre porque a presença da enzima lactase, essencial para a digestão de laticínios, é menos frequente em populações negras do continente americano.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Genetics, é a persistência da lactase que permite que o indivíduo consuma leite e derivados na vida adulta. Já a chamada hipolactasia primária – ou a não persistência da lactase – está relacionada à indigestão e à má absorção da lactose, que pode ocasionar intolerância à lactose ou outros problemas gastrointestinais, como gases e diarreia.

“O normal é que a enzima lactase esteja presente apenas na infância, pois é na fase de amamentação que consumimos leite. Depois, ela para de ser produzida”, explica a professora Marcia Holsbach Beltrame, orientadora do estudo.

De acordo com a professora, a lactase é expressa de forma intensa pelos recém-nascidos — que precisam dela para conseguir digerir e absorver os nutrientes vindos do leite materno. Com o crescimento, no entanto, a enzima deixa de ser necessária e não estaria mais presente no organismo.

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Mas essa condição foi modificada pela seleção natural, quando surgiram indivíduos capazes de consumir leite durante a vida adulta sem apresentar sintomas de intolerância. “Essa capacidade deu vantagem na alimentação das populações pastoralistas e fez com que esses indivíduos passassem seus genes com mais frequência, já que tinham mais chance de sobrevivência e reprodução”, afirma a especialista.

“A persistência da lactase é uma característica humana que surgiu junto com o hábito de consumir leite de outros animais na idade adulta em populações humanas ancestrais. Com esse costume, apareceram mutações em diferentes populações humanas que fazem com que essa enzima continue sendo produzida por toda a vida”, completa Marcia.

O estudo analisou a frequência com que cada mutação estava presente em 25 populações de 12 países latino-americanos, e os resultados revelaram que a frequência da persistência da lactase entre a população negra nas Américas é baixa.

Segundo a pesquisadora, as pessoas que tinham essa mutação conseguiam consumir leite de animais sem apresentar os sintomas da intolerância à lactose, uma grande vantagem às populações pastoralistas ancestrais. “Esse tipo de mutação aumentou de frequência nessas populações, por seleção natural, já que levavam a uma maior chance de sobrevivência e de reprodução dos indivíduos que a portavam. Isso aconteceu de forma independente na África e na Europa, com mutações diferentes”, afirma a professora.

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