Policiais são flagrados agredindo jovens em Salvador

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Oitos jovens foram agredidos por policiais na Liberdade, no mesmo dia em que três rapazes foram baleados, também em ação policial, em Nova Brasília de Valéria

Policiais agridem os jovens com uma madeira, tapas e xingamentos. Reprodução.

Na mesma semana duas denúncias de violência policial contra jovens negros foram registradas em Salvador. Um grupo de Policiais Militares da Bahia (PM-BA) foram flagrados agredindo jovens com um pedaço de madeira na localidade conhecida como Estica, bairro da Liberdade, na última quarta-feira (4). De acordo com a Polícia Militar, quatro PMs envolvidos foram presos após a corporação ter conhecimento do vídeo.

Nas imagens é possível notar os jovens em uma rua estreita, em uma fila e os policiais agredindo os jovens de forma física, moral e psicológica. De acordo com a polícia, oito pessoas foram agredidas no local, dentre estes um adolescente. As testemunhas relataram que os policiais agrediram os jovens e foram embora da localidade sem levar nenhuma das vítimas para a delegacia.

Vídeo gravado por moradores. Reprodução/Facebook

Através de nota, a polícia informou que os integrantes da guarnição foram autuados em flagrante na Corregedoria da Polícia Militar e, após as oitivas, serão encaminhados para a Coordenadoria de Custódia Provisória (CCP), onde permanecerão à disposição da Justiça.

Jovens são baleados por policiais em Nova Brasília de Valéria

Também na quarta-feira (4), no bairro de Nova Brasília de Valéria, na localidade do conjunto Morada da Lagoa, três homens foram baleados durante ação policial. Moradores relatam que os jovens já estavam rendidos quando foram baleados e torturados pelos PMs.

Em nota oficial, a Polícia Militar da Bahia informa que as equipes da 31ª Companhia Independente da PM (CIPM/Valéria) realizavam rondas e abordagens na região quando foram recebidos a tiros por um grupo armado. A polícia afirma que realizava procedimento de segurança com foco na redução do Crime Violento Letal Intencional (CVLI).

Segundo os moradores, que não quiseram se identificar, os rapazes foram atingidos após estarem prendidos, de joelhos e não em um tiroteio, como afirma a polícia.

“Nós ouvimos primeiro uma rajada de tiro, não foi um tiro qualquer, foi de assustar. Era armamento pesado. E aí vimos gente correndo de um lado para outro. Os rapazes já estavam rendidos,  já tinham pegado eles. Depois ouvimos mais tiros. Aí deram tiro para cima, mandando a população sair das janelas e não pude ver mais, porque não quis me arriscar”

diz um morador.

Outro registrou a ação de uma janela, onde é possível ver os policiais carregando um dos feridos que está desacordado e obrigando os outros a andarem. Ainda assim, a PMBA informa que o Departamento de Homicídios e Proteção às Pessoa (DHPP) foi deslocado para o local com, a finalidade de realizar procedimentos legais. No entanto, não foi informado o estado de saúde dos jovens baleados.

Outro morador afirma que os policiais agridem moradores de forma constante na localidade. Segundo o mesmo, a ação policial ficou mais violenta desde que foi inaugurada uma Unidade de Saúde da Família (USF), em dezembro do ano passado.

“Os policiais quando chegam aqui, eles pegam a gente aqui na rua, dá tapa na cara de pai de família, criança, adolescente. A área estava tão boa, não estava tendo nada na área, ai colocam isso aqui para piorar”, relata esse morador.

A PMBA, em nota divulgada sobre a violência no bairro da Liberdade, reiterou que abusos policiais não serão tolerados por parte de qualquer integrante da corporação e todas as denúncias serão rigorosamente apuradas. Já a mesma informação não foi passada na nota sobre os jovens baleados em Valéria.

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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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