Policiais que agrediram jovem em shopping do Rio são denunciados por racismo pelo Ministério Público

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Os policiais militares Gabriel Guimarães Sá Izaú e Diego Alves da Silva que agrediram um estudante, no Shopping Ilha Plaza, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, foram denunciados, nesta quarta-feira (09), pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Os agentes respondem por preconceito racial.

No dia 06 de agosto deste ano os policiais acusaram o jovem Matheus Fernandes Correia de furto, o imobilizaram e agrediram o estudante na escada do Shopping. No mesmo mês, a Polícia Civil já havia informado que a dupla seria indiciada por racismo e abuso de autoridade.

O PM Gabriel Guimarães Sá Izaú chega à delegacia Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo

O ação, movida pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da área Ilha do Governador e Bonsucesso do Núcleo da Capital, por fim, pede que os denunciados respondam pelo crime de racismo, previsto no artigo 20 da Lei 7.716/89 e que prevê pena de reclusão de um a três anos.

Na denúncia, os promotores destacam que os PMs, que trabalhavam como seguranças no shopping, desconfiaram que Matheus, que é negro e tentava trocar um relógio em uma loja de departamentos, teria furtado o objeto, abordando-o de forma truculenta. Após forçarem Matheus a sair da loja, os denunciados o levaram para uma escada e o derrubaram, imobilizando-o e apontando uma arma de fogo na direção de sua cabeça.

Matheus, segundo a denúncia, começou a ser observado pelos agentes porque tinha em suas mãos o relógio que seria trocado e, por ser negro, os PMs desconfiaram que ela teria roubado o objeto. Após a abordagem agressiva, Gabriel derrubou Matheus no chão, enquanto Diego ajudou na imobilização e deu cobertura, evitando que testemunhas se aproximassem. Porém, com o aumento do número de pessoas se aglomerando em torno da escada onde ocorriam as agressões, os denunciados soltaram a vítima, cessando a ação preconceituosa e arbitrária.

O MPRJ destacou também a inconsistência na versão apresentada pelos policiais. Segundo os promotores, os agentes disseram que já tinham acabado o expediente no dia do fato quando viram a vítima com um boné que fazia menção a um dos antigos líderes do tráfico de drogas no Morro do Dendê. Também afirmaram ter visto um volume na cintura de Matheus, que parecia ser uma arma e, por isso, o abordaram. Os agentes negaram que estivessem armados e que agrediram a vítima, acrescentando terem sido xingados por ela, versão desmentida pelas filmagens e por testemunhas. Um vigilante do shopping, que compareceu à escada de incêndio e indagou aos denunciados sobre o ocorrido, contou à polícia que eles lhe informaram que estavam verificando se a vítima tinha cometido um furto, não mencionando nada a respeito da possível arma de fogo e do boné suspeito.

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