Pesquisa mostra que 76% dos brasileiros acreditam que a cor da pele influencia contratação

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Pesquisa mostra ainda que 62% apoiam a manutenção, após a pandemia, do auxílio emergencial – Foto: Reprodução / Internet

A terceira edição da pesquisa Nós e a Desigualdade, realizada pelo Instituto Oxfam Brasil, em parceria com o Datafolha, revela que 76% dos entrevistados afirmam que a cor da pele influencia a contratação por empresas. Além disso, a pesquisa mostrou também que 58% dos entrevistados concordam que os negros ganham menos por serem negros e 67% afirmam que o fato de ser mulher impacta negativamente na renda obtida. Outro dado apontado pela pesquisa é que 84% dos entrevistados acreditam que a cor da pele influencia a decisão de uma abordagem policial e 78% concordam que a Justiça é mais dura com pessoas negras. “Há ampla percepção sobre a pobreza pesar mais sobre pessoas negras: 81% dos brasileiros concordam com a afirmação de que ‘pobres negros sofrem mais com a desigualdade no Brasil do que os pobres que são brancos’, o mesmo número de 2019”, afirma o relatório. 

Taxação de grandes fortunas

O levantamento mostrou também que 84% concordam que os mais ricos devem pagar mais impostos para financiar serviços públicos essenciais. Segundo Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, os dados mostram que a população sabe da relevância estatal para os serviços públicos. “Isso revela que a população brasileira reconhece a importância do Estado e do financiamento de políticas públicas sociais por meio dos impostos que pagamos, principalmente no contexto da crise econômica e sanitária em que vivemos”, afirma.

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Outros números da pesquisa mostram que mais da metade dos brasileiros (56%) defende o aumento de tributos para financiar políticas públicas sociais – educação, moradia e saúde – para as pessoas que precisam no Brasil. 

Comparativos entre anos

Os dados mostram ainda que existe uma crescente vontade social para o aumento dos impostos. No ano de 2019, 31% dos entrevistados se disseram favoráveis ao aumento de impostos para investimentos em áreas sensíveis, enquanto, em 2020, esse número passou para 56%. O aumento da tributação para os mais ricos subiu de 77%, em 2019, para 84%, em 2020.

Para Kátia Maia, a defesa do aumento dos impostos para os mais ricos é significativa e demonstra que a população quer medidas que reduzam desigualdades. “Essa percepção está alinhada com o debate público que vemos atualmente no Brasil e globalmente. Não estamos isolados em relação ao mundo nessa questão, outros países têm refletido também sobre esse anseio para que os mais ricos contribuam mais para a solução dos problemas econômicos, sociais e sanitários”, ressalta a executiva.

Gráfico mostra a disparidade entre quem aprova e reprova a taxação de grandes fortunas – Foto: Oxfam Brasil

Quando o tema é meritocracia, os números também tiveram aumento. Em 2019, 58% dos entrevistados não acreditavam que o trabalho sirva como equalizador das chances dos mais pobres, já no ano passado, 60% dos entrevistados duvidam. Além disso, 62% apoiam a manutenção, após a pandemia, do auxílio emergencial para as pessoas que têm direito hoje.

A pesquisa

Ao todo, a pesquisa ouviu 2.079, entre os dias 07 a 15 de dezembro de 2020, em 130 municípios das 5 regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

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