Paternidade, novo filme da Netflix com Kevin Hart, é a “dramédia” do ano

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Chorar e rir ao mesmo tempo, isso é tudo que uma uma boa “dramédia”, gênero do cinema que junta drama e comédia, pode provocar no espectador. Mas, Paternidade (Fatherhood), o novo filme da Netflix, estrelado por Kevin Hart, conhecido por papeis em longas como “Amigos Para Sempre”, “Central de Inteligência” e “Jumanji: Bem-vindo à Selva”, vai além, ao tocar em questões relevantes como a paternidade solo em uma sociedade machista e todas as decisões que envolvem criar uma criança sem rede de apoio.

Dirigido por Paul Weitz, Paternidade é inspirado na história real de Matthew Logelin, que dá nome à Matt, o personagem vivido por Kevin Hart. O filme foi baseado no drama pessoal de Matthew, que perdeu a esposa no dia seguinte ao nascimento de sua filha, Maddy, interpretado pela atriz mirim Melody Hurd. A história é envolvente e segura o espectador desde o primeiro momento com a seguinte questão: como esse pai desastrado vai dar conta de criar sozinho uma criança? É a partir daí que tudo se desenvolve.

O filme toca em questões como rede de apoio, formada pelas pessoas que cercam as mães e os pais nos primeiros anos de vida do bebê, e que podem oferecer alguma ajuda – uma realidade de poucos. No caso, Matt não tem rede de apoio, tem apenas dois amigos, personagens importantes para garantir algumas das cenas engraçadas do filme. A mãe e os sogros de Matt vivem em outro estado, o que torna as coisas ainda mais difíceis para ele. Aliás, algumas das cenas mais interessantes são protagonizadas por Hart e Alfre Woodard, que vive a sogra dele. 

O longa não é mais uma daquelas histórias de um homem bobão tentando ser pai. Mas retrata os desafios de um homem aprendendo a lidar com os dilemas de uma paternidade responsável, e de forma adulta. E isso tem partes engraçadas e dramáticas. Se por um lado é divertido ver uma criança fazendo cocô (nos outros), por outro, pode ser difícil “deixar ir” um filho que você cria sozinho. O filme tem diálogos interessantes e Hart consegue mostrar, do início ao fim, muita credibilidade em um papel mais dramático, totalmente diferente do que vem fazendo em Hollywood até aqui. A pequena atriz Melody Hurd, que interpreta Maddy, também está impecável.

O problema é que o roteiro perde o ritmo da narrativa às vezes, escolhendo momentos ruins para mudanças de fase, por exemplo. Outro ponto negativo é que o filme toca pouco em questões raciais, o que seria muito possível de ser explorado por se tratar de um pai negro criando uma criança negra sozinho nos EUA. Outro ponto que deixa a desejar é a retratação quase que utópica de um ambiente de trabalho extremamente compreensível com um homem negro que não tem onde deixar sua filha, o que na realidade nunca aconteceria. Matt leva a criança para o trabalho, apresenta projetos com ela usando um sling e ganha até uma promoção.  

Em resumo, o filme é uma história delicada, humana, engraçada e dramática ao mesmo tempo. Infelizmente não consegue entregar momentos de clímax, mas alcança uma linearidade que prende o espectador com atuações acima da média. Discute a paternidade responsável de uma forma real, colocando em cheque o machismo. Para quem é pai ou mãe solo ou foi criado por um pai ou uma mãe solo, certamente o filme vai tocar fundo. Para quem apenas curte rir e chorar ao mesmo tempo assistindo a um bom filme, Paternidade é, até agora, a “dramédia” do ano.

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Jersey Simon

Jornalista, especialista em Comunicação estratégica, empreendedor. Na luta por um Reino de Justiça e paz.

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