Para evitar criminalização de professor de jiu-jítsu morto no Alemão, família divulga contracheque da vítima

Para que Jean Rodrigo Aldrovande, professor de artes marciais executado com um tiro na cabeça no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, não fosse dado como criminoso por policiais, familiares divulgaram recibo de pagamento de salário do professor. Em um país onde 71% das pessoas assassinadas são negras, além da perda da dor do familiar, parentes ainda precisam provar que vítima era trabalhadora.

Em um estado como o Rio de Janeiro onde no primeiro bimestre deste ano 305 pessoas morreram vítimas de operações policiais , segundo dados segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), famílias ainda precisam comprovar a honestidade de seus mortos.

Contratado pelo Ministério do Esporte Jean foi executado com um tiro na cabeça ao sair de seu carro, um Fiat Palio branco, quando estacionou o veículo em frente ao projeto social onde dava aula. No momento em que o professor deixou o automóvel, teve início, segundo a polícia,  uma troca de tiros. Jean e um aluno foram atingidos. O jovem foi socorrido e levado para o Hospital Getúlio Vargas. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dele.

O corpo desumanizado do homem negro permaneceu exposto por um longo tempo até a chegada de responsáveis para a retirada. No mesmo local, moradores fecharam a rua e queimaram pneus em resposta à ação, mas foram afastados com bombas de efeito moral e tiros, pela polícia.

Professor foi baleado no Complexo do Alemão Foto: Reprodução/Voz das Comunidades

Divulgado pelo Jornal Voz das Comunidades, um amigo e vizinho de Jean afirmou que o professor era focado, além de carregar uma grande admiração da comunidade. “Ele era um cara maravilhoso, ia participar de uma competição em Juiz de Fora, além de disputar o torneio do SESI e um campeonato brasileiro no próximo dia 25”, disse.

Além de ter de lidar com a dor da perda de um parente executado, a família divulgou o comprovante de pagamento do professor, a fim de evitar possíveis comentários que pudessem ‘naturalizar’ a ação policial.

Ana Paula Souza

Estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e trabalha como jornalista da Agência Narra, cuja sede é o Observatório de Favelas.

Um comentário em “Para evitar criminalização de professor de jiu-jítsu morto no Alemão, família divulga contracheque da vítima

  • 16 de maio de 2019 em 21:04
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    Mano, a gente sabe que é tenso ser preto, mas ser preto no RJ deve ser osso do osso, pra gente do interior paulista é mais de boa, por isso uma pá de preto eleitor do Bozo, mas no RJ, deve ser tipo faixa de Gaza.

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