O toque brasileiro no título inédito da Nigéria

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Por Luis Fernando Filho

Antes da seleção nigeriana concretizar o seu gigantismo futebolístico no continente, o começo das primeiras edições da Copa Africana de Nações (CAN), criada em 1957, foi repleta de campeões do norte africano e outros da região ocidental. No caso das Super Águias, somente no final da década de 70 é que as grandes aparições aconteceram devido à profissionalização massiva do futebol nigeriano. Foi entre as edições de 1976 e 1978 que o país conquistou o “pódio” entre as melhores do continente.

A seleção nigeriana que foi campeã africana em 1980 sob o comando de Otto Glória – Foto: Reprodução

Na época dessas edições, quando Gana, por exemplo, já havia conquistado três vezes o caneco, inclusive em 1978, é que a seleção nigeriana conquistou dois terceiros lugares consecutivos no torneio, algo inédito até então. Já na virada de 1980, com a chegada do brasileiro Otto Glória, treinador de clubes como o Vasco da Gama e Portuguesa Santista, o patamar iria mudar de vez. Afinal, tempos atrás, a própria seleção visitou o Brasil na tentativa de estudar o futebol local e melhorar o intercâmbio entre os países. E foi aí, portanto, que surgiu o técnico brasuca de prestígio mundial.

A missão de Otto Glória era nítida: desenvolver o futebol nigeriano com as referências vindas do Brasil, principalmente, e conquistar a Copa Africana sediada na própria Nigéria. 

A base das Super Águias tinha Best Ogedegbe como goleiro, nas laterais David Adiele (direito) e Okey Isima (esquerdo), o capitão Christian Chukwu e Tunde Bamidele na zaga. No meio, Mudashiro “Muda” Lawal, Aloysius Atuegbu e Felix Owolabi completavam o setor. No ataque, o maior nome daquela geração e um dos maiores do futebol nigeriano, Segun Odegbami, além de Ifeanyi Onyedika e Adokyie Amiesimaka.

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Durante a competição, o estádio Surulere, em Lagos, esteve lotado em todos os jogos da seleção nacional. Na fase de grupos diante de Tanzânia, Egito e Costa do Marfim, pelo menos 80 mil pessoas apoiaram a equipe a cada partida disputada. Após o primeiro lugar do grupo, os nigerianos viriam a derrotar o Marrocos com gol de Owolabi, com Lagos pulsando diante do que seria a primeira final da CAN. No dia 22 de março de 1980 aconteceu o inevitável.

Novamente no Surulere, agora com 85 mil torcedores, a seleção tinha pela frente uma grande geração da Argélia com o jovem chamado Rabah Madjer, que se tornou logo depois o maior jogador argelino de todos os tempos. Porém, a sinergia entre torcida e time estava tão acirrada em Lagos, que era impossível impedir o título africano. O ídolo Odegbami marcou dois gols ainda no primeiro tempo, enquanto Lawal completou no segundo. Festa em todos os cantos da Nigéria e a geração marcada nos corações do seu povo, com ingredientes brasileiros.

Otto Glória permaneceu até 1982, mas deixou o legado do seu famoso 4-3-3 ofensivo no futebol local. E mais do que isso, conduziu a beleza do escrete nigeriano rumo à sua primeira conquista histórica da Copa Africana. Somente 14 anos depois a nação conquistaria outra edição do torneio. Em Lagos, o dia 22 de março de 1980 jamais será esquecido por sua população apaixonada.

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