No próximo final de semana acontecerá mais uma edição do AfroPunk Festival

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Considerado atualmente um dos principais eventos da cultura negra pelo mundo, o AfroPunk está no seu 15º ano. Nesta edição, o Brooklyn terá uma pitada de Brasil na sua edição. Isso porquê o AfroPunk receberá pela primeira vez uma atração na nossa terra em Nova York: a Batekoo. Festa nascida em Salvador que se tornou um manifesto do movimento negro e LGBT no país. Por falar na capital baiana, é dada como certa uma edição do AfroPunk em 2020 na cidade. Em junho o cantor Fióti, irmão do rapper Emicida, compartilhou no Twitter a informação, mas não deu mais detalhes. No início desse ano um dos fundadores do festival, Matthew Morgan, acompanhou o Carnaval de Salvador, onde conheceu a Batekoo e estreitou os laços para uma possível edição brasileira do AfroPunk.

A história do festival começa em 2003 com o lançamento do documentário Afro-Punk, produzido por Matthew Morgan e dirigido por James Spooner. No doc, Spooner, mostra a busca por outros jovens negros que se interessam pela cultura punk rock, predominantemente branca na época. O documentário foi muito bem recebido pela crítica e pelo público, não só especializados no gênero musical, mas que gostaram da narrativa que mostrava a história de Spooner buscando fazer parte de algo que parecia não lhe pertencer, não ser o único negro americano a gostar de punk rock.

Dois anos depois foi realizada a primeira edição do festival, exatamente no Brooklyn, local de referência da cultura afro-americana. Foram 11 anos tendo como sede apenas Nova York. A partir de 2016 o AfroPunk ganhou o mundo, e outras cidades como Atlanta, Paris, Londres e Joanesburgo também sediaram o festival.

Durante esse período o AfroPunk deixou de ser apenas um festival de música. Atualmente se concretizou como um movimento cultural e político em ascensão que tem a raça negra no centro social. O próprio evento já não contempla mais apenas o cenário musical. As questões sócio-políticas que envolvem os negros são debatidas através de exposições, palestras, filmes. A moda negra é outro ponto forte do AfroPunk. Através das roupas, cabelos e acessórios os negros (que diferentemente de outros festivais, são a maioria do público presente!) demonstram orgulho de sua ancestralidade e reforçam com cada vez mais autoestima sua identidade.



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Michele Gama

Jornalista formada pela FACHA, trabalha há nove anos como produtora de reportagem

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