Um mês após pesquisadora Katiúsia Ribeiro ser ofendida em evento da Unicamp, universidade emite nota de repúdio

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A pesquisadora Katiúscia Ribeiro sofreu ofensas na abertura do ano letivo na Universidade

Katiúscia Ribeiro foi atacada em evento virtual de forma racista e sexista – Foto: Arquivo Pessoal

Na última terça-feira (20), o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp e a chefia do Departamento de Filosofia emitiram uma nota de repúdio ao ataque sofrido pela filósofa e pesquisadora paulista Katiuscia Ribeiro. Na nota, a entidade se solidarizou e enfatizou que repudia “veementemente este ato violento, perpetrado por pessoas que não aceitam a presença de mulheres, sobretudo de mulheres negras, em lugares de destaque na universidade pública, na docência e na pesquisa”, diz a nota. O texto diz ainda que o fato é recorrente na Universidade. “Não é o primeiro ataque que sofremos, e provavelmente não será o último. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas reafirma sua vocação democrática e inclusiva e seu compromisso com a promoção da justiça e da igualdade social, racial e de gênero”.

Katiúscia ressalta que alguns setores sociais ainda não conseguem enxergar os negros, principalmente mulheres negras, em posição de destaque acadêmico. “Foram vários ataques racistas e sexistas. Inclusive, alguns deles me chamando de ‘macaca’, ‘nega suja’ e outros falando que lugar de mulher é na cozinha. Além disso, tiveram alguns que não tenho nem coragem de repetir”, lamenta. 

Entenda o caso

Em 24 de março, o  Centro Acadêmico da Filosofia (CAFil) promoveu um evento virtual, em uma sala do Google Meet, com o tema “O Racismo Estrutural”. Durante a palestra “A importância da Filosofia africana no combate ao racismo estrutural” realizada por Katiúscia, algumas pessoas invadiram a sala, e começaram a proferir ataques racistas e sexistas.

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Ela lembra que alguns alunos que participavam da sala ficaram estarrecidos com os comentários e, justamente no momento que ela falou sobre os pilares da colonização, os ataques começaram. “Eu estava falando dessa estrutura de poder que constrói o racismo, que a filosofia constrói esse sujeito, o eu que pensa e, automaticamente, cria um modelo de humanidade, que é esse homem patriarcal. Na hora que eu falei isso, começaram os ataques”, relembrou. 

Ainda de acordo com ela, era um evento aberto da universidade, uma conferência de recepção dos alunos. “Teve mesa de todas as áreas da filosofia e quando foi na minha, mesa de Filosofia Africana, foi a única que teve ataques. Isso deixou os alunos estarrecidos”, Finaliza.  

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