Moviafro promove final do 5º Miss Afro Feira de Santana

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Empoderar meninas e mulheres negras através da conscientização, do conhecimento sobre o uso dos direitos, visibilização das lutas e conquistas históricas constitui o objetivo do 5º Miss Afro Feira de Santana, edição especial. A ação afirmativa é uma realização da Associação Cultural Moviafro (@moviafrofsa.oficial) que executa a fase final no dia 10 de abril. Em 2021 foram totalizadas 213 interessadas, número recorde de inscrições para o concurso.

Diante da pandemia de COVID-19 a organização precisou se reinventar e readequar. Segundo o Moviafro, a luta que já era intensa então dobrou, o combate diário contra o racismo continuou e atrelou-se ao embate ao vírus, mas desistir seria um luxo ao qual a organização não poderia optar. Assim, 99% da 5ª edição do concurso decorreu em método remoto. Rodas de conversas, palestras, oficinas, enquetes e fóruns foram realizados em plataformas virtuais de mensagens e reuniões, os resultados da utilização da modalidade são positivos.

Durante a fase final sucede o único momento presencial, o desfile para coroação da vencedora e participação das 15 finalistas. O momento seguirá de forma rigorosa todos os critérios estabelecidos pelas autoridades médicas e sanitárias. O local ainda está em negociação devido aos decretos locais de isolamento social. Para avaliar haverá uma comissão julgadora constituída por profissionais de várias áreas do saber, todos eles ligados intrinsicamente ao concurso.

Além do conhecimento, há a premiação simbólica para as três primeiras colocadas, sendo eles valores em dinheiro, coroa, faixa e manto para a eleita Miss Afro.

O processo de análise segue o mesmo padrão desde a primeira edição. As candidatas passam por avaliações pedagógicas com assuntos relacionados a cultura afro-brasileira e afro-baiana, personalidades negras, fatos históricos e minicursos. Todas as provas são classificatórias e ao final de cada assunto ocorre a aplicação de um questionário que credencia as melhores colocadas para as fases seguintes. A última fase é composta pelas finalistas que em um desfile de passarela é eleita a Miss Afro Feira de Santana.

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O concurso

A ideia surgiu em 2012, pelo casal Val Conceição e Viviane Sorriso, quando perceberam que no município baiano não tinha nenhum evento voltado exclusivamente para a mulher negra. A partir da falta de representação racial foi traçada uma operação pensada exclusivamente para pretas, uma ação que pudesse destacar não só a beleza estética como os eventos semelhantes que já existiam, então foi desenvolvido o princípio de oferecer conhecimento através das oficinas e rodas de conversas.

Foram convidados para integrar o projeto o coreógrafo Marcos Tanferi, Flávia Sacramento, estilista, Andréa Black, designer de cabelos, Jaci Silva, também designer de cabelos, professora Geny e a dançarina Carmem Silva. Porém, devido as demandas pessoais e profissionais algumas dessas pessoas já não estão na produção. Hoje o Miss Afro Feira de Santana tem na coordenação além de Val, Marcos Tanferi, Flávia Sacramento, Anne Santos, Joanne Silva, Jully Santos, Jainne Vitória e Anny Santos, além de uma enorme lista de colaboradores.

Apesar de ter sido pensado em 2012, a primeira edição só ocorreu cinco anos depois, em 2017, devido as dificuldades financeiras e aos equívocos por parte daqueles que poderiam ser possíveis patrocínios que acreditavam que o Miss Afro seria um concurso de beleza “racista reverso”.

“O Miss Afro após muito sacrifício se consolida como o principal evento de conscientização, empoderamento e exaltação a beleza da mulher negra do nosso município e região metropolitana. A cada ano com um tema diferente, buscando agregar mais e mais valores intelectuais às nossas pretas. Considerado por muitas pessoas como um curso disfarçado de concurso, rsrsrsrs. Ganhamos respeito pelos nossos iguais e principalmente por aqueles que lá no início não acreditaram na nossa proposta”, declarou Val Conceição, coordenador do Moviafro, sobre a relevância do projeto.
A associação desenvolve historicamente outras iniciativas relacionadas como Miss Afro Plus Size e Mister Afro.


Concursos de beleza e representatividade negra

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54,9% da população brasileira é composta por negros (pretos ou pardos), enquanto o percentual de mulheres negras é de três para cada dez pessoas.

Mesmo com o grande percentual numérico de negras a representação positiva é baixa. O concurso mais tradicional de beleza feminina no Brasil ocorre a cada ano e desde 1954, o Miss Brasil, elege a mulher mais bonita do país que posteriormente concorre a Miss Universo. Dentre as 66 edições, apenas três mulheres negras foram eleitas, são elas: Deise Nunes, em 1986, Raíssa Santana coroada em 2016 e a Monalysa Alcântara, vencedora em 2017.

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