Eu vou pro baile da gaiola

APOIE O NOTÍCIA PRETA
Crédito: Reprodução TV Globo

Há um mês chamamos a atenção para o elenco do Big Brother Brasil 19. Não apenas por ser a edição com a maior quantidade de negros da história do show, mas pelos perfis escolhidos. Nas outras vezes, os escolhidos representaram lá dentro, na maior parte das vezes, perfis estereotipados. Desta vez, não é bem assim. 

Para além do jogo, o que vemos de Gabriela, Rízia, Danrley e Rodrigo (que junto com Alan e Elana formam o grupo chamado Baile da Gaiola) é um comportamento de quem está aberto a conviver numa sociedade de maneira igualitária e respeitosa, a aprender e que faz questão que seu pensamento conviva de maneira harmoniosa e dialógica com pensamentos divergentes. E isso não é esperado de nós negros!

Não é esperado de alguém que vem da favela a educação e, principalmente, a abertura vista em Danrley, nem o poder de militância forte e amoroso como o de Gabriela e Rodrigo, para dar alguns exemplos. Isso incomoda porque tira as armas do agressor, que não tem outra saída a não ser deixar transparecer todo o pré-conceito que advém do racismo estrutural.
Desenhando! Maycon e Paula (que junto com Hariany, Isabella e Carol formam o Camarote Villa Mix) são os representantes do BBB19 de um pensando racista e discriminatório que permeia a sociedade brasileira. E não venha me falar de mimimi! Estamos no meio de uma “briga” sobre representação identitária com o episódio da festa de Donata Meirelles, isso para não falar de todo o ano de 2018. 

Voltando: este pensamento e comportamento racista de Maycon e Paula (é importante dar nome) não precisa ser apenas debatido. Precisa ser punido. Durante anos tentaram nos fazer engolir o mito da democracia racial. Está mais do que provado que a turma do deixa disso perdeu. Logo, é hora de agir, porque deixou de ser jogo há muito tempo e virou vida real.
Virou alguém falando que ao ouvir uma música de Jorge Aragão sentiu um “arrepio ruim”, relembrando quando o samba era visto como uma cultura de gente que não prestava; virou alguém falando de religiões de matrizes africanas como se fosse algo do mal, mesmo pensamento das pessoas que destroem terreiros pelo Brasil. Atitudes como estas precisam ser combatidas na letra da lei: com eliminação do programa e prisão para servir de exemplo.

Em um mês de programa já assistimos a conversas lindas e necessárias de existir em um veículo de comunicação de massa, mas também vimos, pelas falas dentro e fora do programa, que a construção de uma sociedade empática será feita de forma mais lenta do que gostaríamos. Estamos atentos, fortes e prontos para lutar ao som do baile da gaiola.

APOIO-SITE-PICPAY

Lídia Michelle Azevedo

Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela UFRJ, em 2009, já passou pelas redações do Jornal dos Sports, Assessoria de Imprensa do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiencia) Revista Ferroviária, Expresso, Extra, Canal A e atualmente está na assessoria de comunicação da Fundação Cecierj.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.