Manifestação contra o racismo, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é interrompida por ato racista

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Seria cômico, se não fosse trágico. A última quinta-feira (28) ficou marcada pela realização do primeiro Slam – evento de batalhas de poesias autorais -, no Centro de Comunicação, Turismo e Artes. Mas também será lembrada pelo dia em que estudantes sofreram insultos raciais de uma professora do centro.

De acordo com a estudante San Vilela, que é do curso de jornalismo e fez parte da organização do Slam, a ideia de realizar o evento dentro do centro universitário surgiu durante a semana, logo após uma das alunas ter sofrido racismo dentro da sala de aula. Ainda de acordo com ela, a manifestação, inclusive, estava prevista no calendário de programação da UFPB. 

”Nós, alunos negros do Centro de Comunicação, Turismo e Artes, além de negros da sociedade civil que nos apoia e compartilham dos mesmos problemas, nos unimos  através de um ato cultural para abrir o diálogo sobre o racismo que teve como estopim o racismo sofrido recentemente por uma das alunas em sala de aula. Enquanto uma aluna negra falava, um outra aluna branca começou brigar com ela, falando que ela se enquadrava no esteriótipo de negra barraqueira. Ela começou a chorar e ninguém, nem os alunos e nem o professor, fizeram nada”, contou.

”Durante o evento fomos atacadas por uma das professoras do centro e, coincidentemente, a energia da Central de Aulas foi cortada nos fazendo ir para uma outra praça, dentro da universidade,  para continuar o ato. Uma vez que conseguimos uma fonte de energia, voltamos ao nosso centro. Durante a segunda parte do evento, onde houve pockets shows, a mesma professora ameaçou uma das alunas negras participantes do evento publicamente. Inclusive pegando ela pelo braço e gritando com ela. Disse que ela aproveitasse aquele momento, pois ela não deixaria que ele se repetisse. Que nós atrapalhamos a aula dela e a desrespeitamos”, complementou San.

Apesar do ato racista, a organização do Slam contou que outros eventos serão realizados na própria universidade. “Não vamos parar. Já conversamos com alguns dos que estiveram presentes pra vermos a possibilidade de manter essa agenda por pelo menos duas vezes ao mês até que vejamos que a pauta está sendo ouvida. Lembrando que estamos também com pessoas de fora da universidade pra ter esse diálogo. É de dentro para fora, mas não exclusivo aos alunos da UFPB”, ressaltou a estudante ao Portal.

A reportagem do Portal Notícia Preta procurou a Universidade Federal da Paraíba, mas até o momento não obtivemos respostas. 

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Thiago Augustto

Um filho negro adotado. Thiago Augustto faz questão de marcar sua existência pela raça e pela oportunidade de viver. Transformou o tabu da adoção num grande motivo de orgulho. É criador de conteúdo e palestrante. Se formou em jornalismo em 2014, desde então, trabalha na TV Globo Recife, atuando como produtor e repórter. No Notícia Preta, é editor e coordena os colaboradores das regiões norte e nordeste. Em 2021, criou o Futuro Black - um banco de talentos e de fontes profissionais pretas.

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